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1
...
Começou de novo.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
162 - Fim do primeiro ato.
Dia 30 de dezembro.
Tenho 20 anos.
Faço engenharia.
Quase perdi em cáculo 2 e nesse momento estou em frente ao computador
Lembrando da menina com quem saí anteontem
Será que ela gostaria de sair comigo de novo?
Sentindo um alívio muito grande por não ter nada pra fazer hoje.
Esperando que o bloco de amanhã seja muito divertido
E o Lucas, o Vinícius, o André, o Vacosa e mais alguns
Estejam lá.
Foi um bom ano.
Fiz pelo menos 5 novos grandes amigos, sabe como é, faculdade é assim.
Aliás, foi o ano em que entrei na faculdade, atrasado eu sei, mas é que eu não tinha conseguido na primeira vez que eu tentei.
Tive alguns problemas ainda
Terminei um relacionamento com a primeira pessoa que gostou de mim de verdade
e eu gostei muito dela também.
Demorou um tempo até eu entender
que acontece.
Toquei em alguns lugares esquisitos com a minha banda
e foi divertido porque estava todo mundo lá.
Fui um idiota.
Fui brilhante.
Fui humilde.
Fui arrogante.
Esse ano tentei ser eu mesmo.
Não prometo nada para o ano que vem, nunca gostei dessas promessas
Só tenho desejos
E o que eu desejo pra mim e pra você também que talvez esteja lendo agora
O que eu duvido muito, porque não tem muita gente que lerá isso aqui
É só um feliz ano novo.
As coisas do passado ficam no passado
E é hora de dar uma encarada no futuro
Respirar fundo e seguir com aquilo que queremos.
A final de contas é pra isso que existe o ano novo
Pra renovarmos a nós mesmos
Ainda em tempo, por assim dizer.
Tenho 20 anos.
Faço engenharia.
Quase perdi em cáculo 2 e nesse momento estou em frente ao computador
Lembrando da menina com quem saí anteontem
Será que ela gostaria de sair comigo de novo?
Sentindo um alívio muito grande por não ter nada pra fazer hoje.
Esperando que o bloco de amanhã seja muito divertido
E o Lucas, o Vinícius, o André, o Vacosa e mais alguns
Estejam lá.
Foi um bom ano.
Fiz pelo menos 5 novos grandes amigos, sabe como é, faculdade é assim.
Aliás, foi o ano em que entrei na faculdade, atrasado eu sei, mas é que eu não tinha conseguido na primeira vez que eu tentei.
Tive alguns problemas ainda
Terminei um relacionamento com a primeira pessoa que gostou de mim de verdade
e eu gostei muito dela também.
Demorou um tempo até eu entender
que acontece.
Toquei em alguns lugares esquisitos com a minha banda
e foi divertido porque estava todo mundo lá.
Fui um idiota.
Fui brilhante.
Fui humilde.
Fui arrogante.
Esse ano tentei ser eu mesmo.
Não prometo nada para o ano que vem, nunca gostei dessas promessas
Só tenho desejos
E o que eu desejo pra mim e pra você também que talvez esteja lendo agora
O que eu duvido muito, porque não tem muita gente que lerá isso aqui
É só um feliz ano novo.
As coisas do passado ficam no passado
E é hora de dar uma encarada no futuro
Respirar fundo e seguir com aquilo que queremos.
A final de contas é pra isso que existe o ano novo
Pra renovarmos a nós mesmos
Ainda em tempo, por assim dizer.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
160
A chuva começou
Nem ligo
A rua alagou
É, amigo...
Acabou o pão
Azar o dele.
A camisa furou
Acontece.
O time perdeu
Foi nada
A casa caiu
Era palha
O cachorro fugiu
Mas volta
O dia acabou
A noite é tua
Pneu furou
É só trocar
Cansei de correr
É só parar
Sonhei acordado
E foi bom
Peguei a viola
E te fiz uma canção
É você
Que me leu em dois segundos
Que disse que o poço
Nem é tão profundo
E pra tudo tem um tom melhor
Que verdes
São os olhos teus
E as covinhas do seu rosto
Que eu não canso de beijar
Que linda
É tua pele macia
E teu jeito de reclamar da minha barba
Lhe arranhando em vontade
Que fácil
É escutar tua voz
Reverberando no meu peito
Vibra grave o teu calor
Mais cinco minutinhos só
Por favor.
Nem ligo
A rua alagou
É, amigo...
Acabou o pão
Azar o dele.
A camisa furou
Acontece.
O time perdeu
Foi nada
A casa caiu
Era palha
O cachorro fugiu
Mas volta
O dia acabou
A noite é tua
Pneu furou
É só trocar
Cansei de correr
É só parar
Sonhei acordado
E foi bom
Peguei a viola
E te fiz uma canção
É você
Que me leu em dois segundos
Que disse que o poço
Nem é tão profundo
E pra tudo tem um tom melhor
Que verdes
São os olhos teus
E as covinhas do seu rosto
Que eu não canso de beijar
Que linda
É tua pele macia
E teu jeito de reclamar da minha barba
Lhe arranhando em vontade
Que fácil
É escutar tua voz
Reverberando no meu peito
Vibra grave o teu calor
Mais cinco minutinhos só
Por favor.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
159
O que ainda preciso fazer, pra que se façam meus
Os caminhos que tantos outros seguiram
E por lá já deixaram tanta marca?
Se o que decido por ventura vier a ser o que os outros querem
Chamo acaso.
Se decido apenas que não,
Chamo sensatez.
Ainda que nas sombras de outros descobridores caminhe eu
Padeço de uma certeza quase absoluta
Não há de ser essa minha eterna conduta
Mais tarde me enveredaderei por lugares que ninguém escolheu.
Por enquanto aprendo.
Observo.
Deixo levar.
Agora não é a hora nem aqui é o meu lugar.
Espero que ao chegar na beira,
Quando essa sombra terminar,
O sol gentilmente me mostrará
Onde devo estar.
Os caminhos que tantos outros seguiram
E por lá já deixaram tanta marca?
Se o que decido por ventura vier a ser o que os outros querem
Chamo acaso.
Se decido apenas que não,
Chamo sensatez.
Ainda que nas sombras de outros descobridores caminhe eu
Padeço de uma certeza quase absoluta
Não há de ser essa minha eterna conduta
Mais tarde me enveredaderei por lugares que ninguém escolheu.
Por enquanto aprendo.
Observo.
Deixo levar.
Agora não é a hora nem aqui é o meu lugar.
Espero que ao chegar na beira,
Quando essa sombra terminar,
O sol gentilmente me mostrará
Onde devo estar.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
158
Depois de muito refletir
Cheguei a uma derradeira conclusão:
Eu tenho os melhores amigos do mundo.
Cheguei a uma derradeira conclusão:
Eu tenho os melhores amigos do mundo.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
157
Luto pelo meu direito de ficar tranquilo.
Ficar encarando o céu
Como quem não quer nada com a hora do Brasil
Esperando tudo acabar bem.
Olhando o mar por trás dos óculos escuros
Em cima de uma pedra
Vento batendo
E nunca poderá ser melhor.
Nada pra fazer
Só observando o tempo se arrastar no calor que fazem
Os dias de verão
E, porque não, ouvir a minha música favorita no rádio.
Dar uma volta de carro e viajar
Levar meus melhores amigos
Sem mala nem destino
E finalemnte ser feliz
Até o fim das férias
Porque eu vou fazer vinte anos quinta que vem
Ainda estou na faculdade
E acho que a beleza da vida está em viver.
Talvez seja essa a resposta que eu procurava durante meus quinze anos
Talvez aos trinta eu descubra que não.
Mas por enquanto,
Fica por isso mesmo
Fica minha luta.
Luto pelo meu direito de ficar tranquilo.
Ficar encarando o céu
Como quem não quer nada com a hora do Brasil
Esperando tudo acabar bem.
Olhando o mar por trás dos óculos escuros
Em cima de uma pedra
Vento batendo
E nunca poderá ser melhor.
Nada pra fazer
Só observando o tempo se arrastar no calor que fazem
Os dias de verão
E, porque não, ouvir a minha música favorita no rádio.
Dar uma volta de carro e viajar
Levar meus melhores amigos
Sem mala nem destino
E finalemnte ser feliz
Até o fim das férias
Porque eu vou fazer vinte anos quinta que vem
Ainda estou na faculdade
E acho que a beleza da vida está em viver.
Talvez seja essa a resposta que eu procurava durante meus quinze anos
Talvez aos trinta eu descubra que não.
Mas por enquanto,
Fica por isso mesmo
Fica minha luta.
Luto pelo meu direito de ficar tranquilo.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
154
As pessoas sonham porque devem sonhar.
Se abraçam porque parecem se gostar
Relaxam quando querem descansar
Bebem pra comemorar.
As pessoas vivem porque é bom.
Se divertem com uma canção
Cantam fora do tom
Dormem quando se cansam
E aprendem coisas da vida, minha nega.
As pessoas se jogam de prédios
Nadam com tubarões
Se doentes tomam remédios
E se tristes perdem a razão.
As pessoas sentem medo porque devem
Com certas coisas não se brinca
Acabam descobrindo algumas verdades
Das quais se chora ou às quais se brinda.
As pessoas se espreguiçam porque se sentem bem.
Pulam na alegria do que de repente vem
Lêem nas entrelinhas porque são inteligentes
Ao menor sinal de felicidade, mostram ao mundo seus dentes.
As pessoas escrevem romances pra chorar.
Fazem comédia pra rir.
Sabem usar o que tem a mão.
São criativas ao ponto de irem à lua.
As pessoas ouvem os Beatles.
Quem não ouve os Beatles?
Repetem ditados populares para confirmar ideias
Acordam com bafo de manhã.
As pessoas sobem paredes e queimam colchões.
Se revoltam porque sentem que devem.
Fazem guerras contra si mesmas.
Caminham vagarosamente para o seu próprio fim.
As pessoas ou dizem muito ou não dizem nada.
Muitas sentem falta.
Irão sair hoje pra só voltar amanhã de manhã
Sabem saborear o gosto de uma boa maçã.
As pessoas sabem como se faz uma boa rima.
No fim do dia sentam nas suas poltronas.
Tomam banhos demorados
Querem sempre sair por cima.
As pessoas gostam de definir as coisas.
Escreveram um livro sobre a definição das coisas.
Existe um site onde você pode procurar a definição das coisas.
Não possuem nenhuma definição.
As pessoas são como devem ser.
Tropeçam sem querer.
Dirigem carros velozes em pistas perigosas
Não possuem o menor senso de praticidade.
As pessoas mentem pra se proteger.
Falam coisas que não deveriam.
Falam a verdade.
Falam como as outras estão bonitas hoje com aquele vestido novo.
As pessoas vão a festas.
Fazem casamentos
Tocam instrumentos
E sempre, sempre, mesmo que muito pouco e lá no fundo
São impactadas por esse tipo de coisa.
As pessoas, não você.
Porque
Diferente de todas elas
Só você pára o tempo.
Se abraçam porque parecem se gostar
Relaxam quando querem descansar
Bebem pra comemorar.
As pessoas vivem porque é bom.
Se divertem com uma canção
Cantam fora do tom
Dormem quando se cansam
E aprendem coisas da vida, minha nega.
As pessoas se jogam de prédios
Nadam com tubarões
Se doentes tomam remédios
E se tristes perdem a razão.
As pessoas sentem medo porque devem
Com certas coisas não se brinca
Acabam descobrindo algumas verdades
Das quais se chora ou às quais se brinda.
As pessoas se espreguiçam porque se sentem bem.
Pulam na alegria do que de repente vem
Lêem nas entrelinhas porque são inteligentes
Ao menor sinal de felicidade, mostram ao mundo seus dentes.
As pessoas escrevem romances pra chorar.
Fazem comédia pra rir.
Sabem usar o que tem a mão.
São criativas ao ponto de irem à lua.
As pessoas ouvem os Beatles.
Quem não ouve os Beatles?
Repetem ditados populares para confirmar ideias
Acordam com bafo de manhã.
As pessoas sobem paredes e queimam colchões.
Se revoltam porque sentem que devem.
Fazem guerras contra si mesmas.
Caminham vagarosamente para o seu próprio fim.
As pessoas ou dizem muito ou não dizem nada.
Muitas sentem falta.
Irão sair hoje pra só voltar amanhã de manhã
Sabem saborear o gosto de uma boa maçã.
As pessoas sabem como se faz uma boa rima.
No fim do dia sentam nas suas poltronas.
Tomam banhos demorados
Querem sempre sair por cima.
As pessoas gostam de definir as coisas.
Escreveram um livro sobre a definição das coisas.
Existe um site onde você pode procurar a definição das coisas.
Não possuem nenhuma definição.
As pessoas são como devem ser.
Tropeçam sem querer.
Dirigem carros velozes em pistas perigosas
Não possuem o menor senso de praticidade.
As pessoas mentem pra se proteger.
Falam coisas que não deveriam.
Falam a verdade.
Falam como as outras estão bonitas hoje com aquele vestido novo.
As pessoas vão a festas.
Fazem casamentos
Tocam instrumentos
E sempre, sempre, mesmo que muito pouco e lá no fundo
São impactadas por esse tipo de coisa.
As pessoas, não você.
Porque
Diferente de todas elas
Só você pára o tempo.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
151 - Seu Basílio e a Lei da Gravidade.
Seu Basílio não gostava das pessoas, melhor, às achava idiotas. Se encontrava no topo de seus, como gostava de vociferar por aí, "cinquenta e sete bem-vividos anos".Porém, apesar de sua ranzizice, era dotado de um afiadíssimo senso de humor, o que o tornava uma figura muito complicada de se conviver. Seus dois filhos já haviam se mudado a algum tempo, ambos casados, com boa família e empregos, de modos que, Seu Basílio não tinha muito a quem apurrinhar. Bem, um dia, durante mais um de seus extensos monólogos à mesa que não era vazia apenas pela presença de sua (a essa altura) distraída esposa, teve uma ideia brilhante. Decidiu provar para todos o quanto realmente burros eram. Sim, faria uma gozação da sociedade e de quebra provaria a sua tese. Finalmente provaria que todas as pessoas são idiotas mesmo organizando um abaixo-assinado exigindo a revogação da Lei da Gravidade. Era sórdido, e, como se despunha de um caminhão de tempo livre visto que era aposentado, isso lhe ocuparia a mente e traria diversão para o resto da vida. E foi. Montou um estande alí perto da avenida principal da sua cidadezinha média. Começou a gritar e fazer comícios no meio da rua, exibindo suas ideias, vendo se algum daqueles transeuntes engolia sua ideia... E chocou-se. Chocou-se com a quantidade de gente que atraira. Talvez pelas suas grandes e reconhecidas capacidades de orador, como ele mesmo pensava e em grande parte também pela própria ignorância das pessoas, porque não? Estava certo. Todos da cidade assinaram, exceto alguns auto-intitulados intelectuais , os quais, vale dizer, rapidamente perceberam a intenção de Seu Basílio e ficavam a rir pelos cantos, dividindo com ele aquele orgulho de terem sido os poucos a entender a piada. Agora, dispondo de seu abaixo-assinado repleto da tinta de todos os otários possíveis, decidiu ir mais longe. Provaria que até os políticos da cidade eram completos imbecis. Marcou hora com o prefeito, foi a câmara dos vereadores, elaborou um detalhado estudo sobre como a ausência da gravidade ajudaria as pessoas deficientes e com problemas lombares. Ria, ria infinitamente e riu mais ainda quando o projeto foi aprovado e entraria em voga na segunda quinzena de maio. Organizou uma festa. Montou um palanque no qual saborearia sua vitória tirando sarro da cara de todos. Apontaria dedos e repetiria tudo aquilo que a sua esposa e filhos se cansaram de ouvir durante todos os anos à mesa de refeição. Ele finalmente seria justificado e finalmente poderia falar com razão sobre a idiotice das pessoas. Isso se naquela manhã do dia dezessei de maio, suas cuecas não estivessem no teto, ou se a sua cama não estivesse zanzando a esmo pelos cômodos da casa que também não estavam no chão. Para seu espanto e para felicidade geral da nação, a Lei da Gravidade tinha sido revogada e os problemas na coluna diminuiram em sessenta e três vírgula cinco por cento na região. Tudo graças a seu árduo empenho por essa causa. Talvez as pessoas não fossem tão idiotas assim.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
149
Ainda tenho tempo?
Tá gravando?
Então tá.
Digo que sou eu mesmo por uma pontinha de falta do que ser.
Veja bem, não me arrependo de ter me tornado eu mesmo
Mas digamos que acabei sendo o que sou por vários acasos.
Um amigo meu me emprestou um livro, muito bom por sinal
E esse livro diz
Que somos muito mais
Do que as partes que nos formam.
Justo.
Concordo plenamente.
As minhas partes não me limitaram de forma alguma.
Na verdade, não limitam meus anseios
Até porque, pra suprir a carência de algumas das minhas partes
Desejo mais de mim mesmo.
Complexo não?
Eu nunca disse que era uma pessoa simples
Talvez dado à simplicidades
Mas não simples.
Ninguém o é.
Se sou qualquer pedaço de coisa hoje
É porque tudo que me trouxe valeu de algo.
Já discuti isso antes com várias pessoas,
Gosto de dialogar
Trocar ideias
Expandir um pouco as partes componentes de minha razão.
Essas então...
Não existem limites para a compreensão de uma pessoa
Que gosta de saber o porque das coisas
E acho que aí mora toda a nossa superioridade às partes
Que nos formam.
A vontade de aprender sobre que tudo que virá
E a capacidade de compreender tudo que foi
É isso que nos impulsiona a ser maiores que nós mesmos.
A avidez de questionar o mundo.
Vivi a minha fase 15 anos
Sei como é não saber de nada e achar que sabe tudo
Sei como é achar que tem as repostas
Sem nunca realmente ter feito as perguntas certas
Nas horas certas
Para as pessoas certas.
Mas valeu
E ainda vale
Um tanto porque ainda vivo esse processo e espero continuar vivendo
E um tanto porque gosto de saber de tudo
Curiosidade de menino que pensa que é homem.
Talvez ainda não seja nada
Nem esteja a meio caminho de ser
Mas sinto que se me mantiver querendo saber de tudo
Um dia tudo
É o que vai compor as partes
De mim.
Pode desligar agora.
Acho que deu.
Tá gravando?
Então tá.
Digo que sou eu mesmo por uma pontinha de falta do que ser.
Veja bem, não me arrependo de ter me tornado eu mesmo
Mas digamos que acabei sendo o que sou por vários acasos.
Um amigo meu me emprestou um livro, muito bom por sinal
E esse livro diz
Que somos muito mais
Do que as partes que nos formam.
Justo.
Concordo plenamente.
As minhas partes não me limitaram de forma alguma.
Na verdade, não limitam meus anseios
Até porque, pra suprir a carência de algumas das minhas partes
Desejo mais de mim mesmo.
Complexo não?
Eu nunca disse que era uma pessoa simples
Talvez dado à simplicidades
Mas não simples.
Ninguém o é.
Se sou qualquer pedaço de coisa hoje
É porque tudo que me trouxe valeu de algo.
Já discuti isso antes com várias pessoas,
Gosto de dialogar
Trocar ideias
Expandir um pouco as partes componentes de minha razão.
Essas então...
Não existem limites para a compreensão de uma pessoa
Que gosta de saber o porque das coisas
E acho que aí mora toda a nossa superioridade às partes
Que nos formam.
A vontade de aprender sobre que tudo que virá
E a capacidade de compreender tudo que foi
É isso que nos impulsiona a ser maiores que nós mesmos.
A avidez de questionar o mundo.
Vivi a minha fase 15 anos
Sei como é não saber de nada e achar que sabe tudo
Sei como é achar que tem as repostas
Sem nunca realmente ter feito as perguntas certas
Nas horas certas
Para as pessoas certas.
Mas valeu
E ainda vale
Um tanto porque ainda vivo esse processo e espero continuar vivendo
E um tanto porque gosto de saber de tudo
Curiosidade de menino que pensa que é homem.
Talvez ainda não seja nada
Nem esteja a meio caminho de ser
Mas sinto que se me mantiver querendo saber de tudo
Um dia tudo
É o que vai compor as partes
De mim.
Pode desligar agora.
Acho que deu.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
148
Quem liga se a graça da vida é a festa que eu fui ontem,
E não tinha ninguém?
Ou se as pernas daquela atriz que eu gosto tanto
Estão desaprumando.
Tá tudo bem
Sabe por que?
Porque tanto faz.
É melhor ficar quieto por uns tempos e fingir que não liga.
Ou melhor,
Não ligue.
Vai levando tudo de vagar, porque de vagar é o ritmo
Das coisas que dão certo
Ou não.
Eu falo muita besteira aqui, e,
Levando isso em consideração você pode ignorar tudo que eu falo
E tomar as suas próprias decisões.
Aliás,
Eu não ligo nem pras suas decisões
Eu só estou dando um conselho de amigo,
(Que eu acho que a essa altura já somos,
Afinal de contas você sabe tudo o que penso
E se me leu até aqui é porque compartilha alguma coisa comigo).
Leva de vagar,
Mas leva com carinho
Porque a vida é sua
E é bom ter cuidado com as próprias coisas
Mesmo que no seu pensamento
Tudo
Tanto faz,
Por assim dizer.
E não tinha ninguém?
Ou se as pernas daquela atriz que eu gosto tanto
Estão desaprumando.
Tá tudo bem
Sabe por que?
Porque tanto faz.
É melhor ficar quieto por uns tempos e fingir que não liga.
Ou melhor,
Não ligue.
Vai levando tudo de vagar, porque de vagar é o ritmo
Das coisas que dão certo
Ou não.
Eu falo muita besteira aqui, e,
Levando isso em consideração você pode ignorar tudo que eu falo
E tomar as suas próprias decisões.
Aliás,
Eu não ligo nem pras suas decisões
Eu só estou dando um conselho de amigo,
(Que eu acho que a essa altura já somos,
Afinal de contas você sabe tudo o que penso
E se me leu até aqui é porque compartilha alguma coisa comigo).
Leva de vagar,
Mas leva com carinho
Porque a vida é sua
E é bom ter cuidado com as próprias coisas
Mesmo que no seu pensamento
Tudo
Tanto faz,
Por assim dizer.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
domingo, 10 de outubro de 2010
146
O vento gelado na minha nuca veio me avisar
Que de vez em quando o outono chega
E como ele vem um...sei lá
Vontade de não acordar.
Eu não sou covarde
Quase sempre enfrento a mim mesmo
E a meus sentimentos.
Tomo responsabilidade de tudo aquilo que decido.
Mas quando o outono chega,
Não tem como fugir das folhas caindo
E do jazz tocando baixinho enquanto penso na vida.
Música é uma coisa engraçada.
A música sempre te pega no contra pé.
E me pegou de novo
Encarando meu fraco reflexo nesse vidro sujo
Adornado de folhas de todos os lados
Enquanto meus amigos se divertem,
Bebem,
Dançam,
Ou coisas assim
Eu estou aqui.
De pernas cruzadas em silêncio.
Sempre penso em como não fui eu mesmo nas mais diversas situações
E como isso me privou de momentos maravilhosos.
Sim,
Eu estou falando de você.
Não fui eu mesmo
E ainda me pego pensando em tudo que eu não disse
E tudo que eu disse errado.
E ainda me pergunto como posso sentir tanta saudade
De coisas que nem tive.
Vai ver eu sou um brinquedo quebrado
E foi melhor pra todo mundo que eu tenha parado de brincar sozinho
E te poupar do trabalho de me jogar no lixo.
Me joguei.
Não faça essa cara,
Eu sei que agora que admiti que fui eu o perdedor
Você se sente altiva.
E usa esse ar inocente pra esconder o sorriso no seu rosto.
Que mentirosa você é.
Ainda bem que mentiroso
Também fui.
E digo mais menina,
Sou.
Menti pra todo mundo,
Pra mim
E pra você.
Que de vez em quando o outono chega
E como ele vem um...sei lá
Vontade de não acordar.
Eu não sou covarde
Quase sempre enfrento a mim mesmo
E a meus sentimentos.
Tomo responsabilidade de tudo aquilo que decido.
Mas quando o outono chega,
Não tem como fugir das folhas caindo
E do jazz tocando baixinho enquanto penso na vida.
Música é uma coisa engraçada.
A música sempre te pega no contra pé.
E me pegou de novo
Encarando meu fraco reflexo nesse vidro sujo
Adornado de folhas de todos os lados
Enquanto meus amigos se divertem,
Bebem,
Dançam,
Ou coisas assim
Eu estou aqui.
De pernas cruzadas em silêncio.
Sempre penso em como não fui eu mesmo nas mais diversas situações
E como isso me privou de momentos maravilhosos.
Sim,
Eu estou falando de você.
Não fui eu mesmo
E ainda me pego pensando em tudo que eu não disse
E tudo que eu disse errado.
E ainda me pergunto como posso sentir tanta saudade
De coisas que nem tive.
Vai ver eu sou um brinquedo quebrado
E foi melhor pra todo mundo que eu tenha parado de brincar sozinho
E te poupar do trabalho de me jogar no lixo.
Me joguei.
Não faça essa cara,
Eu sei que agora que admiti que fui eu o perdedor
Você se sente altiva.
E usa esse ar inocente pra esconder o sorriso no seu rosto.
Que mentirosa você é.
Ainda bem que mentiroso
Também fui.
E digo mais menina,
Sou.
Menti pra todo mundo,
Pra mim
E pra você.
domingo, 3 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
144
No inicio eu não era ninguém
Não tinha nada
Era só um bebê.
Foi mais ou menos quando fui pra escola pela primeira vez
Que descobri o maior prazer da vida:
Fazer amigos.
Acho que todos nós fazemos nossos primeiros amigos na escola.
Talvez você tenha feito no condomínio da sua avó
Mas eu sei que você só pensou isso agora de pirraça
Pra contrariar o meu achismo.
Azar o seu, eu acho que nós fazemos nossos primeiros amigos na escola.
E desde os primeiros dias nos demos bem.
Sabe aquelas histórias de filme de subúrbio americano
Em que tem quatro amiguinhos com casa na árvore, guerrinhas imaginárias
E tudo mais?
Pois bem, fizemos isso tudo.
Éramos os reis da torre de pneus na escola.
Invadíamos castelos,
Éramos os Power Rangers.
Sempre vencíamos a outra turma
E ela sempre nos invejava.
Cresci desde então
Eles cresceram comigo.
Ainda assim continuamos travando muitas batalhas...
Nossas primeiras namoradas
Quando passamos no vestibular
Quando aprendemos a dirigir
Quando ganhamos carros
E viajamos.
Estar com os amigos na estrada?
Nada melhor.
Passar fome com os amigos?
Nada melhor.
Ouvir o choro baixinho e consolar sorrindo
"Cara, vai dar tudo certo..."
E ficou tudo bem.
Deu tudo certo.
E sabe porque dá tudo certo?
Quando a gente não tem mais casa
Não tem mais comida
Não tem mais roupa
Não tem mais dinheiro
Não tem mais nada terreno e vazio
Que um dia supriu a sua necessidade momentânea
Sobram os meus amigos.
Meus amigos sabem tudo.
Podem tudo.
E de aniversário pros meus amigos eu deixo isso aqui
Esse pensamento meu, que eu sei que não vale muita coisa
Mas é o que de coração eu faço com o maior prazer
E, porque não dizer?,
Amor do mundo.
São meus irmãos
Pra vida toda.
Não tinha nada
Era só um bebê.
Foi mais ou menos quando fui pra escola pela primeira vez
Que descobri o maior prazer da vida:
Fazer amigos.
Acho que todos nós fazemos nossos primeiros amigos na escola.
Talvez você tenha feito no condomínio da sua avó
Mas eu sei que você só pensou isso agora de pirraça
Pra contrariar o meu achismo.
Azar o seu, eu acho que nós fazemos nossos primeiros amigos na escola.
E desde os primeiros dias nos demos bem.
Sabe aquelas histórias de filme de subúrbio americano
Em que tem quatro amiguinhos com casa na árvore, guerrinhas imaginárias
E tudo mais?
Pois bem, fizemos isso tudo.
Éramos os reis da torre de pneus na escola.
Invadíamos castelos,
Éramos os Power Rangers.
Sempre vencíamos a outra turma
E ela sempre nos invejava.
Cresci desde então
Eles cresceram comigo.
Ainda assim continuamos travando muitas batalhas...
Nossas primeiras namoradas
Quando passamos no vestibular
Quando aprendemos a dirigir
Quando ganhamos carros
E viajamos.
Estar com os amigos na estrada?
Nada melhor.
Passar fome com os amigos?
Nada melhor.
Ouvir o choro baixinho e consolar sorrindo
"Cara, vai dar tudo certo..."
E ficou tudo bem.
Deu tudo certo.
E sabe porque dá tudo certo?
Quando a gente não tem mais casa
Não tem mais comida
Não tem mais roupa
Não tem mais dinheiro
Não tem mais nada terreno e vazio
Que um dia supriu a sua necessidade momentânea
Sobram os meus amigos.
Meus amigos sabem tudo.
Podem tudo.
E de aniversário pros meus amigos eu deixo isso aqui
Esse pensamento meu, que eu sei que não vale muita coisa
Mas é o que de coração eu faço com o maior prazer
E, porque não dizer?,
Amor do mundo.
São meus irmãos
Pra vida toda.
domingo, 26 de setembro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
142
Digamos que agora eu esteja só e que essa característica
Seja inerente aos meus últimos dias.
Seria eu mais triste?
Depende.
Tem dias em que meu quarto vira meu mundo
E dali não saio nem por decreto.
Decretos esses que eu mesmo crio em meu governo.
Soberano de minhas fantasias,
Deito e durmo.
Alguns outros dias me deixo sair pra dar uma olhada
No que se passa nesse mundo cheio de defeitos
No qual vocês vivem.
Confesso que se não tivesse meu quarto,
Se todo meu direito fosse tirado
E meu trono jogado em pilha de tralha,
Aí sim seria mais triste.
Não, eu não sou um sociopata.
Eu gosto de conviver em família
Ter amigos
Me divertir.
Só não gosto de corroborar com os padrões dessa vida
Que vocês levam.
Seria muito melhor se todas as pessoas vivessem no meu mundo
Mas no meu quarto não cabe todo mundo
Só eu
E, porque não,
Você.
Vem comigo.
Eu te mostro que aqui o sol nasce na hora que a gente quer
E você vai ter mais cinco minutinhos toda manhã.
Só chove quando você quiser ler um livro
Ou ficar o dia todo embaixo das cobertas
Comigo ao lado.
Ninguém vai te julgar
E você vai sempre estar como quiser estar
Independente do que espelhos,
Balanças,
Ou a televisão diga.
Até porque, por aqui isso só existe
Quando você quiser que exista.
Não há mais solidão
E todo dia você vai poder comer brigadeiro
Eu particularmente prefiro pudim
Mas se brigadeiro quiser
Brigadeiro terá.
Eu sempre direi o que você precisa ouvir
E sempre ouvirei o que você precisar dizer.
Não te prometo que todos os dias serão um mar de rosas
Até porque eu tenho vários defeitos
Só te peço paciência.
Sou um tanto novo nessa história de governante
E você bem sabe que política é uma coisa muito séria.
Por isso seus deveres como primeira dama serão de alto valor
Por aqui.
Na verdade você só terá uma tarefa muito importante:
Ser feliz.
Sejamos felizes,
Por assim dizer.
Seja inerente aos meus últimos dias.
Seria eu mais triste?
Depende.
Tem dias em que meu quarto vira meu mundo
E dali não saio nem por decreto.
Decretos esses que eu mesmo crio em meu governo.
Soberano de minhas fantasias,
Deito e durmo.
Alguns outros dias me deixo sair pra dar uma olhada
No que se passa nesse mundo cheio de defeitos
No qual vocês vivem.
Confesso que se não tivesse meu quarto,
Se todo meu direito fosse tirado
E meu trono jogado em pilha de tralha,
Aí sim seria mais triste.
Não, eu não sou um sociopata.
Eu gosto de conviver em família
Ter amigos
Me divertir.
Só não gosto de corroborar com os padrões dessa vida
Que vocês levam.
Seria muito melhor se todas as pessoas vivessem no meu mundo
Mas no meu quarto não cabe todo mundo
Só eu
E, porque não,
Você.
Vem comigo.
Eu te mostro que aqui o sol nasce na hora que a gente quer
E você vai ter mais cinco minutinhos toda manhã.
Só chove quando você quiser ler um livro
Ou ficar o dia todo embaixo das cobertas
Comigo ao lado.
Ninguém vai te julgar
E você vai sempre estar como quiser estar
Independente do que espelhos,
Balanças,
Ou a televisão diga.
Até porque, por aqui isso só existe
Quando você quiser que exista.
Não há mais solidão
E todo dia você vai poder comer brigadeiro
Eu particularmente prefiro pudim
Mas se brigadeiro quiser
Brigadeiro terá.
Eu sempre direi o que você precisa ouvir
E sempre ouvirei o que você precisar dizer.
Não te prometo que todos os dias serão um mar de rosas
Até porque eu tenho vários defeitos
Só te peço paciência.
Sou um tanto novo nessa história de governante
E você bem sabe que política é uma coisa muito séria.
Por isso seus deveres como primeira dama serão de alto valor
Por aqui.
Na verdade você só terá uma tarefa muito importante:
Ser feliz.
Sejamos felizes,
Por assim dizer.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
141
Eu sou um cara de boas ideias.
Talvez as minhas ideias sejam tão boas e geniais
Que ninguém mais consegue entender
Só eu.
Ou não.
Talvez as minhas ideias sejam tão boas e geniais
Que ninguém mais consegue entender
Só eu.
Ou não.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
140
O gordinho no fundo da sala
O menino feio que aprendeu a tocar violão
Por causa de uma menininha
Que preferiu seu melhor amigo.
O João Ninguém pelo qual você passa na rua
E finge não conhecer
Ou talvez realmente não conheça.
Aquele cara parado no meio da rua
Trocando o pneu furado, na chuva.
O cabisbaixo alí andando
Temendo mostrar o choro
Depois de terminar com a namorada.
Aquele sentado no fim de tarde na beira da praia
Só refletindo sobre a vida.
Um feliz da vida porque finalmente passou no vestibular
E talvez ganhe um carro dos pais.
Aquele que ganhou um carro dos pais.
O que tem que aprender a sobreviver aos solavancos da vida.
O que tem que se segurar para resistir aos solavancos do ônibus
Que chacoalha.
O que mora perto
O que mora longe.
Um que sente saudade de tanta coisa e que irá
Com certeza
Sentir saudade de hoje,
Que foi o dia em que percebeu que já foi todos eles.
Não que isso faça diferença pra você
Mas pra mim faz.
Porque só refletindo sobre nós mesmo que a gente descobre
Quantas pessoas diferentes a gente já foi
E que talvez todas elas tenham nos trazido
A pessoa que somos hoje.
As derrotas e as vitórias
Tudo que aprendemos ou deixamos de aprender.
Você deve saber que eu sou um cara dado a clichês.
A minha falta de criatividade se demonstra nesse ponto
Mas em minha defesa eu posso dizer:
Geralmente os clichês estão certos.
Tão certos que viram clichês.
E novamente posso dizer que todo o aprendizado é válido
Toda experiência é válida
Com óbvias ressalvas, claro
Não vamos achando que delitos são experiências válidas, por favor.
Eu vivi muito pouco ainda pra saber das verdades da vida
Mas acho que já vivi o suficiente
Pra me alegrar, me arrepender
Pra amar, não amar mais
Ficar com raiva
Enfim, experimentar de um tanto.
Entretando, preciso aprender a ler nas entrelinhas.
Saber que quem já fui pode me dar visão
Saber que quem já fui pode me dar experiência
E vivência.
Aliás, essa última é uma coisa que meu pai me disse
Que só se tem
Vivendo.
Eu fui e ainda sou o gordinho.
Eu ainda sei tocar violão, e isso me proporcionou uma banda.
E olha só que maravilha
Dá pra ganhar um dinheiro com esse negócio.
Na verdade, eu agradeço aos céus por todas as situações pelas quais passei.
Ainda dá pra ser muito mais feliz
E deixar acontecer muito mais histórias.
Só vivi dezenove
Faltam três meses pra eu fazer vinte anos.
Não sei de nada.
Não quero saber.
Um dia, sei lá, vou sair pelo mundo
Vasto mundo
Não sou Raimundo
Mas no meu coração cabe tudo
E eu vou guardar em fotos a minha memória
Pra um dia quem sabe um neto do meu neto
Saber quem eu fui, quem eu serei
Quem eu sou.
Eu ainda sou o gordinho.
O menino feio que aprendeu a tocar violão
Por causa de uma menininha
Que preferiu seu melhor amigo.
O João Ninguém pelo qual você passa na rua
E finge não conhecer
Ou talvez realmente não conheça.
Aquele cara parado no meio da rua
Trocando o pneu furado, na chuva.
O cabisbaixo alí andando
Temendo mostrar o choro
Depois de terminar com a namorada.
Aquele sentado no fim de tarde na beira da praia
Só refletindo sobre a vida.
Um feliz da vida porque finalmente passou no vestibular
E talvez ganhe um carro dos pais.
Aquele que ganhou um carro dos pais.
O que tem que aprender a sobreviver aos solavancos da vida.
O que tem que se segurar para resistir aos solavancos do ônibus
Que chacoalha.
O que mora perto
O que mora longe.
Um que sente saudade de tanta coisa e que irá
Com certeza
Sentir saudade de hoje,
Que foi o dia em que percebeu que já foi todos eles.
Não que isso faça diferença pra você
Mas pra mim faz.
Porque só refletindo sobre nós mesmo que a gente descobre
Quantas pessoas diferentes a gente já foi
E que talvez todas elas tenham nos trazido
A pessoa que somos hoje.
As derrotas e as vitórias
Tudo que aprendemos ou deixamos de aprender.
Você deve saber que eu sou um cara dado a clichês.
A minha falta de criatividade se demonstra nesse ponto
Mas em minha defesa eu posso dizer:
Geralmente os clichês estão certos.
Tão certos que viram clichês.
E novamente posso dizer que todo o aprendizado é válido
Toda experiência é válida
Com óbvias ressalvas, claro
Não vamos achando que delitos são experiências válidas, por favor.
Eu vivi muito pouco ainda pra saber das verdades da vida
Mas acho que já vivi o suficiente
Pra me alegrar, me arrepender
Pra amar, não amar mais
Ficar com raiva
Enfim, experimentar de um tanto.
Entretando, preciso aprender a ler nas entrelinhas.
Saber que quem já fui pode me dar visão
Saber que quem já fui pode me dar experiência
E vivência.
Aliás, essa última é uma coisa que meu pai me disse
Que só se tem
Vivendo.
Eu fui e ainda sou o gordinho.
Eu ainda sei tocar violão, e isso me proporcionou uma banda.
E olha só que maravilha
Dá pra ganhar um dinheiro com esse negócio.
Na verdade, eu agradeço aos céus por todas as situações pelas quais passei.
Ainda dá pra ser muito mais feliz
E deixar acontecer muito mais histórias.
Só vivi dezenove
Faltam três meses pra eu fazer vinte anos.
Não sei de nada.
Não quero saber.
Um dia, sei lá, vou sair pelo mundo
Vasto mundo
Não sou Raimundo
Mas no meu coração cabe tudo
E eu vou guardar em fotos a minha memória
Pra um dia quem sabe um neto do meu neto
Saber quem eu fui, quem eu serei
Quem eu sou.
Eu ainda sou o gordinho.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
139
Eu agora escrevo depois da primeira vez que nos falamos,
E já consigo prever o futuro.
Primeiro você não vai nem lembrar que tinha falado comigo.
Deve estar deitando agora
Pensando na sua dor de garganta, nos seus estudos, no seu cabelo
Nas festas em que você foi, nas festas em que você ainda vai...
Porque eu sei que você é festeira.
Talvez esteja até pensando naquele garoto que chama a sua atenção.
Mas ele não sabe que não tem a menor chance (nem você sabe, por assim dizer).
Porque hoje eu vi o que eu queria, e não planejo desistir tão fácil.
Já desisti uma vez, reconheço, mas pra nunca mais.
Depois eu vou falar com você de novo, só pra te lembrar das coisas que eu te falei
Da primeira vez.
Só pra dessa vez você lembrar de mim, e eu vou te propor uma conversa.
E nessa conversa só você vai me conhecer, porque eu já sei tudo sobre você.
Pelo menos tudo que eu deveria saber.
Que você é linda, tem os cabelos negros escorrendo pelo meio das costas
E pele branca tipo leite.
É, eu sei que não é a melhor comparação do mundo, mas é porque mesmo com toda a Riqueza
Que o português me oferece, eu não consigo te descrever.
Ou descrever só a sua barriga, linda.
Ou pernas torneadas...
Que quando você falar, vão sair notas voando pelo ar
E o resto da minha vida vai ser um musical do Gene Kelly.
Eu vou te deixar em casa no fim da tarde, e no cair da noitinha
Dançarei na chuva.
Na terceira vez eu não caberei em mim mesmo.
Terei que juntar todas as minhas forças pra manter a racionalidade
E não me entregar à selvageria passional de me atirar
Entre teus braços.
Tentarei não fazer juras eternas, porque apesar de ter o costume de às fazer
Temo serem falhas e te decepcionarem um dia, um outro dia, não esse.
Não desejo te decepcionar, aliás, é a última coisa que desejaria fazer, no último dia
Na última hora de minha vida.
Só desejarei teus beijos enquanto respirar.
Na quarta vez,
A terceira vez não vai ter fim.
Mas não terei mais forças pra ser racional.
Felizmente.
Então dorme, menina
Porque enquanto você dorme eu sonho
Por nós dois.
E já consigo prever o futuro.
Primeiro você não vai nem lembrar que tinha falado comigo.
Deve estar deitando agora
Pensando na sua dor de garganta, nos seus estudos, no seu cabelo
Nas festas em que você foi, nas festas em que você ainda vai...
Porque eu sei que você é festeira.
Talvez esteja até pensando naquele garoto que chama a sua atenção.
Mas ele não sabe que não tem a menor chance (nem você sabe, por assim dizer).
Porque hoje eu vi o que eu queria, e não planejo desistir tão fácil.
Já desisti uma vez, reconheço, mas pra nunca mais.
Depois eu vou falar com você de novo, só pra te lembrar das coisas que eu te falei
Da primeira vez.
Só pra dessa vez você lembrar de mim, e eu vou te propor uma conversa.
E nessa conversa só você vai me conhecer, porque eu já sei tudo sobre você.
Pelo menos tudo que eu deveria saber.
Que você é linda, tem os cabelos negros escorrendo pelo meio das costas
E pele branca tipo leite.
É, eu sei que não é a melhor comparação do mundo, mas é porque mesmo com toda a Riqueza
Que o português me oferece, eu não consigo te descrever.
Ou descrever só a sua barriga, linda.
Ou pernas torneadas...
Que quando você falar, vão sair notas voando pelo ar
E o resto da minha vida vai ser um musical do Gene Kelly.
Eu vou te deixar em casa no fim da tarde, e no cair da noitinha
Dançarei na chuva.
Na terceira vez eu não caberei em mim mesmo.
Terei que juntar todas as minhas forças pra manter a racionalidade
E não me entregar à selvageria passional de me atirar
Entre teus braços.
Tentarei não fazer juras eternas, porque apesar de ter o costume de às fazer
Temo serem falhas e te decepcionarem um dia, um outro dia, não esse.
Não desejo te decepcionar, aliás, é a última coisa que desejaria fazer, no último dia
Na última hora de minha vida.
Só desejarei teus beijos enquanto respirar.
Na quarta vez,
A terceira vez não vai ter fim.
Mas não terei mais forças pra ser racional.
Felizmente.
Então dorme, menina
Porque enquanto você dorme eu sonho
Por nós dois.
137
Ainda que a vida lhe permita que fuja
Não tem como, meu amigo.
Você um dia vai se deparar com as coisas como são.
E se o dia tivesse trinta horas
Você reclamaria da falta de tempo
Sem nunca notar
Que temos tempo suficiente pra viver.
Eu só queria viver de cabeça fresca
Relaxado
Sem problemas
Sem passado
Não tem como, meu amigo.
Então vem, senta aqui do lado
Vamos dividir mais uma canção sobre nossas dores
Rachar meio copo de saudade
E lamentar a derradeira solidão
Ainda que a vida lhe ordene que chore,
Chora não.
Diz pra mim que vai ficar bem,
Dá mais um gole
E sai rindo pela porta.
Me empresta um abraço, meu amigo
Sei que um dia devolverei.
E assim vamos levando.
Não tem como, meu amigo.
Você um dia vai se deparar com as coisas como são.
E se o dia tivesse trinta horas
Você reclamaria da falta de tempo
Sem nunca notar
Que temos tempo suficiente pra viver.
Eu só queria viver de cabeça fresca
Relaxado
Sem problemas
Sem passado
Não tem como, meu amigo.
Então vem, senta aqui do lado
Vamos dividir mais uma canção sobre nossas dores
Rachar meio copo de saudade
E lamentar a derradeira solidão
Ainda que a vida lhe ordene que chore,
Chora não.
Diz pra mim que vai ficar bem,
Dá mais um gole
E sai rindo pela porta.
Me empresta um abraço, meu amigo
Sei que um dia devolverei.
E assim vamos levando.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
136 - O samba de José Pereira.
José Pereira se declarava o melhor sambista da sua rua. Não tinha nem conversa, ele era o melhor de todos. Talvez fosse, não sei, mas todo mundo duvidava. Uns vizinhos, que moravam mais em baixo na rua, diziam que fazia muito tempo não o ouviam mais dedilhar uma corda que fosse. "Já aposentou o pinho, não deve valer de mais nada..."; "Se bobear o velho morreu... não vem aqui no bar faz uma semana...". É engraçado o modo com que as pessoas encaram a vida. O que envelhece perde o brilho, o significado e o valor. Não o samba de José Pereira. O samba de José Pereira era ouro e, só depois de velho, foi garimpado dos becos escuros daquele subúrbio mal informado. Aconteceu que em visita ao bairro carente, um grupo de americanos descobriu José Pereira e seu samba dourado. Não quiseram nem esperar que ele arrumasse suas coisas e logo o embarcaram rumo ao sucesso em Nova Iorque à lá João Gilberto. Pobres vizinhos que precisaram chamar o corpo de bombeiros pra descobrir uma casa vazia. José Pereira, tido como velho caduco, como desaparecido por possível óbito em domicílio, que não tinha família por assumir um estilo "malandro carioca" de vida, brilhava nos palcos americanos desfilando seu garboso samba. José Pereira teve de ser reconhecido por outros.Nós estávamos cegos e não vimos que às vezes o que reluz pode ser ouro, ou samba. O samba de José Pereira.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
135
Hoje eu fui buscar o carro do meu pai na oficina. Ele já tinha reclamado duas vezes do polimento do cara de lá e, pro meu não-espanto, o trabalho tinha ficado uma bosta de novo. Eu, que achei que ia voltar de carro pra casa, só fiz cara de mal-amado. Voltei de lá à pé. Na verdade eu fui andando até a Roberto Silveira e lá parei no sinal aberto aos carros. Ben l'Oncle desferindo seu soul nos meus fones de ouvido e eu olhei pra baixo como quem só quer esperar o sinal abrir pra atravessar.Foi quando vi meu tênis velho e rasgado, comprado faz muito tempo, enquanto atravessar aquela rua teve vários outros significados. Eu fiquei me perguntado quantas vezes a minha história já atravessou aquela avenida. Quantas vezes aquele meu tênis beijou o asfalto em passos apressados, felizes, tristes... Quantas vezes mais atravessaria? Quantas pessoas já não sentiram a mesma sensação? Aposto que você também tem momentos assim na sua vida, eu tenho muitos. Ás vezes uma coisa muito simples me faz refletir por horas e horas e horas... E eu continuei lá parado me lembrando de cada momento, cada época da minha vida e de como eu era mais magro, mais burro, mais novo...diferente. No entanto a Avenida Roberto Silveira sempre a mesma, tão pulsante e imponente no coração da minha cidade de médio porte. O sinal fechou aos carros e mais uma vez, a minha história passou por lá.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
134
Paciência
Eu devia ter mais paciência.
Já perdi muita coisa por falta de paciência.
Padeço de um imediatismo idiota.
Eu devia ter mais paciência.
Já perdi muita coisa por falta de paciência.
Padeço de um imediatismo idiota.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
133
Faz umas 3 semanas que eu não coloco cordas novas no meu violão
Ele ainda guarda a última música que eu toquei
Foram uns versos vazios e sem sentido, cheios de rimas pobres
E em total e completo desapego, deixei ressoar.
Se atingiram algum ouvido que subitamente espreitava por trás de cortinas
Não sei.
É mania de quem gosta de aparecer,
Sempre achar que alguém está ouvindo.
Não está.
É tudo mentira, o mocinho morre no final, ninguém salva a mocinha
E de vez em quando o cara mal ganha.
Olha, não estou fazendo analogia alguma aqui. É só isso mesmo.
A vida é menos mágica do que as cordas do violão querem mostrar
Porque na verdade,
O violão não tem cordas faz umas 3 semanas...
Ele ainda guarda a última música que eu toquei
Foram uns versos vazios e sem sentido, cheios de rimas pobres
E em total e completo desapego, deixei ressoar.
Se atingiram algum ouvido que subitamente espreitava por trás de cortinas
Não sei.
É mania de quem gosta de aparecer,
Sempre achar que alguém está ouvindo.
Não está.
É tudo mentira, o mocinho morre no final, ninguém salva a mocinha
E de vez em quando o cara mal ganha.
Olha, não estou fazendo analogia alguma aqui. É só isso mesmo.
A vida é menos mágica do que as cordas do violão querem mostrar
Porque na verdade,
O violão não tem cordas faz umas 3 semanas...
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
131

Tem gente que é meio fútil. Coitados, a futilidade não só flui deles como também os cerca. Esses dias eu conheci uma menina, bonita a menina até. Conversei com ela por tempo o suficiente pra saber que ela era altamente superficial. Você também tem isso? De conversar três minutos e já ter ideia da profundeza do caráter da pessoa? Pois bem, eu tive isso alí, só deu pena. Acho que com as meninas é mais fácil acontecer isso, sei lá, é uma impressão minha. Talvez seja coisa das mães delas mas não tenho muita certeza, não sou menina. Enfim, a questão é a futilidade das pessoas. Chega a dar asco ver tanta coisa desperdiçada com quem é fútil. Geralmente essas pessoas tem tudo: família estruturada, boas escolas, carros, namoradas(os), tudo disponível e ao alcance do seu mais novo palm-top(não sei como se escreve isso), e como quem nada quer e tudo tem, enraizam suas vidas exatamente em cima do que tem e não do que são ou do que querem ser. Quando a gente é adolescente a gente, na maior parte dos casos, procura uma identidade, uma causa pra defender, uma linha de pensamento pra seguir. E quando o Cazuza e o Legião se tornam o Restart e os Colírios da Capricho? Pra onde foram as pessoas que tinham o que dizer? Onde está a vanguarda do pensamento das camadas intelectualemnte em formação? Nas universidades? Olha, eu vou te dizer uma coisa meu amigo, eu estudo numa grande universidade e quando eu olho pros lados, só vejo loucos metidos a politizados e do outro lado do ringue os que nada querem com a hora do Patropí. A futilidade está fundada beeeeem mais fundo em nós do que talvez nós pensamos. Eu admito, também sou um tanto fútil com certas questões da minha vida, não devo ser hipócrita, mas gente, por favor, raciocinemos. A verdadeira superficialidade advem da preguiça de pensar e tudo aquilo que se segue a preguiça de pensar pode ser denominado caganeira mental. Sim, se você não consegue concatenar meia dúzia de ideias e formar uma opinião que não seja "olha, que lindo!!"; "que fofo!";"não conheço, nunca vi, é uma bosta"; Você tem preguiça mental e tudo que sai da sua boca não passa de dejeto verbal. Se possuímos um cérebro temos o dever de não sermos fúteis. Ser fútil significa ir contra o desenvolvimento natural e Darwin terá espasmos em seu túmulo. Nos diferenciamos dos demais animais pela capacidade de raciocínio e reflexão, não jogue isso fora, não seja fútil.
Uma boa noite,
E passar bem.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
130
Quem pode medir a quantidade exata de quantas vezes ao dia
Somos incoerentes?
Por favor, eu quero em medida de colheres de chá.
Talvez algumas pessoas precisem de mais água que outras
Pra conseguir dissolver um pouco.
Agora não dissolvo,
Só por um momento deixarei que tudo se misture
E externe a minha incoerência ao mundo.
Não me filtrarei
Não me esconderei em pequenas máscaras que finjo ter
Pra grupos diferentes de amigos
Quantas personalidades diferentes e contraditórias eu tenho
A ponto de me perder em mim mesmo?
Aliás
Sou eu mesmo?
Acho que já nos fizemos essa pergunta a alguns anos atrás
Enquanto ainda fervíamos de revoluções e hormônios
Mas talvez eu ainda não a tenha respondido.
Quem de mim sou eu?
Deve ser melhor não responder.
Tem gente que se assusta com a resposta
E tem gente que por esse medo não responde
Pertenceria eu a algum desses grupos?
Não sei.
Saberia se me conhecesse melhor
Entretanto preferi me esconder atrás das mesmas máscaras
Das quais ainda agora pretendi me desfazer por tanto tempo
Que não aprendi a responder pergunta alguma sem fingir.
Já menti sentimentos por muito tempo na vida
Os guardei quando não devia e os externei sob a mesma condição
Fui muito feliz quando os soube usar
E serei mais ainda quando não descobrir e sim aprender
Quem sou e devo ser.
Somos incoerentes?
Por favor, eu quero em medida de colheres de chá.
Talvez algumas pessoas precisem de mais água que outras
Pra conseguir dissolver um pouco.
Agora não dissolvo,
Só por um momento deixarei que tudo se misture
E externe a minha incoerência ao mundo.
Não me filtrarei
Não me esconderei em pequenas máscaras que finjo ter
Pra grupos diferentes de amigos
Quantas personalidades diferentes e contraditórias eu tenho
A ponto de me perder em mim mesmo?
Aliás
Sou eu mesmo?
Acho que já nos fizemos essa pergunta a alguns anos atrás
Enquanto ainda fervíamos de revoluções e hormônios
Mas talvez eu ainda não a tenha respondido.
Quem de mim sou eu?
Deve ser melhor não responder.
Tem gente que se assusta com a resposta
E tem gente que por esse medo não responde
Pertenceria eu a algum desses grupos?
Não sei.
Saberia se me conhecesse melhor
Entretanto preferi me esconder atrás das mesmas máscaras
Das quais ainda agora pretendi me desfazer por tanto tempo
Que não aprendi a responder pergunta alguma sem fingir.
Já menti sentimentos por muito tempo na vida
Os guardei quando não devia e os externei sob a mesma condição
Fui muito feliz quando os soube usar
E serei mais ainda quando não descobrir e sim aprender
Quem sou e devo ser.
domingo, 11 de julho de 2010
129
Sobe a calçada trocando pé
Olha pra cima, "ah... o bem me quer"
Diz que não é bom viver assim pra sempre?
Girando o chapéu na mão
Cantarolando a música do rádio
Anos 60, 70
Perdido no tempo, meu avô contava as memórias
Tinha amado muito naquelas épocas
Sobretudo, a vida
Bem aventurados os que sabem viver de verdade
Levando os problemas de vagar, chorando e rindo
Sem pensar muito no que ainda não aconteceu
"Vai que não acontece?", conselho dele
E é verdade, vai que não acontece
Se a vida já o impõe dificuldades
Ele sabe que valeu tudo o que fez
Valeu o esforço e o sacrifício de se manter louco
Num mundo de sãos
Não é fácil ser policial e amante das belas artes
Depois de aposentado, pintou apaixonado fruteiras e casas e ruas
Se técnica lhe faltasse, ficava só no apio familiar mesmo
Me deu um quadro quando eu fiz quatorze anos
Me deu um abraço
E mais um monte de conselhos
Me deu um violão e mesmo sem saber tocar,
Me ensinou que música é só sentimento
(E que, realmente, Roberto Carlos é muito bom)
Me mostrou que a fala é melhor que a gritaria
Que eu devia saber me defender sem os punhos
Ele chorou quando eu não passei pra faculdade
Ele chorou quando eu passei pra faculdade
"Sabe vô, eu não fiz mais que a minha obrigação
Que é retribuir, em tudo que eu fizer,
Tudo o que você já fez."
Porém, eu tenho certeza
Se ficasse um milhão de anos tentando
Nunca retribuiria.
Nunca.
Vovô, obrigado.
Olha pra cima, "ah... o bem me quer"
Diz que não é bom viver assim pra sempre?
Girando o chapéu na mão
Cantarolando a música do rádio
Anos 60, 70
Perdido no tempo, meu avô contava as memórias
Tinha amado muito naquelas épocas
Sobretudo, a vida
Bem aventurados os que sabem viver de verdade
Levando os problemas de vagar, chorando e rindo
Sem pensar muito no que ainda não aconteceu
"Vai que não acontece?", conselho dele
E é verdade, vai que não acontece
Se a vida já o impõe dificuldades
Ele sabe que valeu tudo o que fez
Valeu o esforço e o sacrifício de se manter louco
Num mundo de sãos
Não é fácil ser policial e amante das belas artes
Depois de aposentado, pintou apaixonado fruteiras e casas e ruas
Se técnica lhe faltasse, ficava só no apio familiar mesmo
Me deu um quadro quando eu fiz quatorze anos
Me deu um abraço
E mais um monte de conselhos
Me deu um violão e mesmo sem saber tocar,
Me ensinou que música é só sentimento
(E que, realmente, Roberto Carlos é muito bom)
Me mostrou que a fala é melhor que a gritaria
Que eu devia saber me defender sem os punhos
Ele chorou quando eu não passei pra faculdade
Ele chorou quando eu passei pra faculdade
"Sabe vô, eu não fiz mais que a minha obrigação
Que é retribuir, em tudo que eu fizer,
Tudo o que você já fez."
Porém, eu tenho certeza
Se ficasse um milhão de anos tentando
Nunca retribuiria.
Nunca.
Vovô, obrigado.
sábado, 3 de julho de 2010
127
Dá pra ser tão mais feliz.
Não me responda agora
Eu sei que você não existe mais e que meus erros
Te apagaram por completo
Que nossos amigos ficaram perplexos
Que não sobrou nenhum de nós
Dá pra ser tão mais feliz.
Ainda agora eu me olho nas vitrines
Daquelas lojas que você gostava de comprar
E o sapato, que me levou os últimos tustões furados
Também estava lá
Alí permanecíamos os dois, de pé, sorrindo.
Esse sol, hoje em calor infinito, se escondeu tímido
Sem ter o que esquentar, justamente
No dia em que faltou calor
E os céus cantrovoavam as melodias de solidão
Os fogos de artifício que estouravam aos meus ouvidos
Também se foram
Dá pra ser tão mais feliz.
Me senti um canastrão de filme americano
Sabe aquela única lágrima que sempre escorre
No rosto do mocinho abandonado?
Fui vilão de mim mesmo
Minhas decisões, teóricamente abalisadas
Apunhalaram pelas costas, em digna cena de cinema
Os sentimentos que jurei não ter.
As juras de nada valem se não se sabe o que sente
E de nada vale um coração pra quem só se faz racional
Volto a andar,
Viro a esquina,
Casa
Dá pra ser tão mais feliz.
Não me responda agora
Eu sei que você não existe mais e que meus erros
Te apagaram por completo
Que nossos amigos ficaram perplexos
Que não sobrou nenhum de nós
Dá pra ser tão mais feliz.
Ainda agora eu me olho nas vitrines
Daquelas lojas que você gostava de comprar
E o sapato, que me levou os últimos tustões furados
Também estava lá
Alí permanecíamos os dois, de pé, sorrindo.
Esse sol, hoje em calor infinito, se escondeu tímido
Sem ter o que esquentar, justamente
No dia em que faltou calor
E os céus cantrovoavam as melodias de solidão
Os fogos de artifício que estouravam aos meus ouvidos
Também se foram
Dá pra ser tão mais feliz.
Me senti um canastrão de filme americano
Sabe aquela única lágrima que sempre escorre
No rosto do mocinho abandonado?
Fui vilão de mim mesmo
Minhas decisões, teóricamente abalisadas
Apunhalaram pelas costas, em digna cena de cinema
Os sentimentos que jurei não ter.
As juras de nada valem se não se sabe o que sente
E de nada vale um coração pra quem só se faz racional
Volto a andar,
Viro a esquina,
Casa
Dá pra ser tão mais feliz.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
126
Eu te falei, foi vagalume
Piscou duas vezes não foi à toa
Estrela demora, demora..
Vagalume voa...voa..
Ele vai desenhando de traço em traço
Sem ligar se a tinta falhou
Sem parar pra refazer o que não foi feito
Nem iluminar o que sobrou
Vagalume brilha onde quer
Só se vê na escuridão
Dorme no dia
Voa sem rumo, no horizonte
É estrela de asas
É luz vadia independente
É inseto, é pirilampo
É lumeeiro, mosca-de-fogo
Salta-martim, salicu, pirífora
Alí tem outro
Onde?
Perdi de vista.
Piscou duas vezes não foi à toa
Estrela demora, demora..
Vagalume voa...voa..
Ele vai desenhando de traço em traço
Sem ligar se a tinta falhou
Sem parar pra refazer o que não foi feito
Nem iluminar o que sobrou
Vagalume brilha onde quer
Só se vê na escuridão
Dorme no dia
Voa sem rumo, no horizonte
É estrela de asas
É luz vadia independente
É inseto, é pirilampo
É lumeeiro, mosca-de-fogo
Salta-martim, salicu, pirífora
Alí tem outro
Onde?
Perdi de vista.
terça-feira, 15 de junho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
123
Eu pensei que sabia de tudo
Pensei que tinha conquistado
Visto, ido e vencido
Pensei que não tinha mais pra onde ir
Que era o mais certo
O perfeito
"Os fracos que se percam, eu vou sozinho."
"Os dias que passem, eu não ligo."
Pensei estar em sincronia com tudo que gira
Ao redor de mim
"E o que não giraria afinal?"
Neguei qualquer desvio de carácter
Qualquer desvio de atenção
Qualquer palavra, num dia de alto verão
Qualquer vento da primeira chuva de Março
Qualquer aviso do que viria a seguir
"Sou eu e mais ninguém."
É justo, meu amigo
Que quando o ego infla
Qualquer pequena abertura
Deixa o vazio passar.
Passou.
E o ar, que estufava meu peito
"Justificava" meu rugido
Vazou.
À cântaros, vazou.
Por dias, vazou.
É justo, minha amiga
Que quando a gente fica só por opção própria
Tudo que nos resta
É vazar... o ar... o choro... e fim.
Pensei que tinha conquistado
Visto, ido e vencido
Pensei que não tinha mais pra onde ir
Que era o mais certo
O perfeito
"Os fracos que se percam, eu vou sozinho."
"Os dias que passem, eu não ligo."
Pensei estar em sincronia com tudo que gira
Ao redor de mim
"E o que não giraria afinal?"
Neguei qualquer desvio de carácter
Qualquer desvio de atenção
Qualquer palavra, num dia de alto verão
Qualquer vento da primeira chuva de Março
Qualquer aviso do que viria a seguir
"Sou eu e mais ninguém."
É justo, meu amigo
Que quando o ego infla
Qualquer pequena abertura
Deixa o vazio passar.
Passou.
E o ar, que estufava meu peito
"Justificava" meu rugido
Vazou.
À cântaros, vazou.
Por dias, vazou.
É justo, minha amiga
Que quando a gente fica só por opção própria
Tudo que nos resta
É vazar... o ar... o choro... e fim.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
122
-------- Valsa à dois.------------
Joga teu relógio fora
Deixa o mundo se virar
Eu prometo que não demora
Pro infinito começar.
Joga teu relógio fora
Deixa o mundo se virar
Eu prometo que não demora
Pro infinito começar.
121
Ainda estava no iníco do filme quando eu cresci
Não por decisão minha, apenas aconteceu.
Vai ver quem cresceu não fui eu
Vai ver, por assim dizer, apenas vivi.
O tempo, inexorável, impõe.
Quem vive cresce, por sua mão e capricho.
O tempo, ah o tempo... que já foi amigo
Agora, sobre as nossas atitudes impensadas, supõe.
É doloroso ver que ainda ontem estávamos todos nas ruas
Com bolas ao ar, piques e namoricos sem maldade
Em contraste com nossas cabeças atuais em plena atividade
Fervilhando em soluções práticas.
Verões e invernos já disseram que não voltam
E o tempo, orgulhoso, diz:
Vim para mudar,
Vim para transformar
Tudo que um dia foi
Feliz.
Não por decisão minha, apenas aconteceu.
Vai ver quem cresceu não fui eu
Vai ver, por assim dizer, apenas vivi.
O tempo, inexorável, impõe.
Quem vive cresce, por sua mão e capricho.
O tempo, ah o tempo... que já foi amigo
Agora, sobre as nossas atitudes impensadas, supõe.
É doloroso ver que ainda ontem estávamos todos nas ruas
Com bolas ao ar, piques e namoricos sem maldade
Em contraste com nossas cabeças atuais em plena atividade
Fervilhando em soluções práticas.
Verões e invernos já disseram que não voltam
E o tempo, orgulhoso, diz:
Vim para mudar,
Vim para transformar
Tudo que um dia foi
Feliz.
terça-feira, 25 de maio de 2010
119
Acontece que esses dias eu estava lá no Detran pra resolver uns assuntos da minha carteira de motorista. E de repente vem um homem e, como se esperasse tão entediado como eu, sentou ao meu lado, sacou o celular e fez uma ligação. Acontece também, que a ligação que ele fez foi lá pra Minas ( a julgar pelo sotaque, obviamente). Ele disse, em alto e bom som, um "alô" com aquele "a" danaaaaaaa di puxádo, sô. Sujeito engraçado aquele. Ele tinha ligado pra esposa. A maneira daquele mineiro tratar com tanto carinho a mulher me comoveu, confesso. Nunca tinha visto ninguém conversar assim tão apaixonado no telefone. Os olhos dele brilhavam, ele tinha um sorriso bobo, e , apesar de ser uns sete anos mais velho que eu, parecia um menino com a primeira namorada. Deve ser bom viver assim. Viver ao lado de quem se gosta. Talvez seja até esse o sentido da vida e a resposta daquelas perguntas infames que fazemos aos nossos pais só pra vê-los titubiar. Estar ao lado de alguém que se goste de verdade é difícil porque é muito mais fácil ( e até mais cômodo) deixar-se ir. Ás vezes falta coragem, disposição, paciencia... mas através daquele homem eu pude ver que valia a pena. Vale a pena aguentar os solavancos da vida e tudo que ela impõe por aqueles que amamos. Só pra depois não precisar lamentar erros e auxências. Aquele cara tinha tudo decifrado, tinha tudo sabido e só estava vivendo, estava esperando, estava telefonando...
Por assim dizer, chegou a minha vez, levantei e saí.
Chegou a minha vez.
Por assim dizer, chegou a minha vez, levantei e saí.
Chegou a minha vez.
terça-feira, 6 de abril de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
117
Chegou a hora, minha senhora
Cada um escolhe seu lado agora
Eu vou embora
Talvez seja melhor que outrora
Que eu dê o fora.
Cada um escolhe seu lado agora
Eu vou embora
Talvez seja melhor que outrora
Que eu dê o fora.
sábado, 6 de março de 2010
116
Crônica nº1
"BAM"! A chuva me pegou pelo caminho. Já estava quase chegando na casa do meu avô que mora logo alí
na Moreira César, mas, como ainda faltavam alguns metros, fui indo meio que de charme pra sentir a chuva.
Verdade, meu amigo, que meu comboio de corda anda um tanto assim de charme também, logo, a chuva se fez bem
útil nessa minha dor de cutuvelo. Dor essa que fica pra depois, não vou discorrer sobre minhas dores na minha
primeira crônica, não cabe. Bom, o fato é que depois de cabisbaixar pela rua, cheguei ao meu destino. Exausto.
Alguma vez você já percebeu que a chuva acaba com todas as suas forças e somente um banho quente salva? Pois é,
um banho quente, fechei a porta pensando nisso. Fui falar com meu avô que se encontrava sozinho em casa. Situação,
devo dizer, muito estranha, porque a casa dele mais parece domingo todo dia, sempre cheia de gente da família,
os netos, os filhos, os ajuntados e afins. Meu avô, porém, estava deitado. Aliás, por motivos de saúde, é assim que ele
passaa maior parte do seu tempo. Triste. Bem triste pra alguém que já foi coronel da polícia, apaixonado por pintura,
um músico (frustrado) e fazia suas vezes de piadista também até a primeira vez em que sentiu a fraqueza nas pernas e a
tremedeira. Amo tanto meu avô que chega a doer só de pensar em como isso destruiu a sua vida, mas nunca abalou sua fé
ou vontade de viver. Um dia ainda vou escrever um livro sobre a vida do meu avô e todo mundo vai entender o porque da minha
infinita admiração por esse homem. "Oi, vô!"- "Oi, Gabriel." Relampejou lá fora e alguém tocou a campainha. Era Nelly,
a vizinha de apartamento. Vivia sozinha desde quando sua irmã morreu. Tinha medo dos relâmpagos, dizia, e logo
foi entrando como se compartilhasse comigo da mesma intimidade que compartilhava com a minha avó. Sentou-se, não quis o café.
"É só pra eu não ficar sozinha, já vou embora.".E me contou da sua vida, de como foi enfrentar um vestibular (o primeiro para todo
o Brasil) e depois uma faculdade já aos cinquenta anos, do seu neto estudioso que logo vai para São Paulo e de seu neto
relapso que não quer se formar e por fim, chorou. Aquela mulher de oitenta anos chorou de alegria, por poder conversar com alguém e de tristeza
pela irmã, "faz dois anos...", repetia. E foi embora. Naquele momento percebi que meu avô sentia a mesma coisa alí naquele apartamento
vazio, sozinho. Minha avó tinha saído com meu tio para fazer compras e talvez ele estivesse pensando em todas as suas lutas
e como tinha parado alí deitado. Era meu dever ficar ao lado do meu avô agora. Deitei na cama, sorri e ele me contou suas histórias
também. Sabe, essas pessoas não deviam morrer. Envelhecer é uma benção - foi vovô que falou e completou ainda - mas envelhecer
com sua família ao seu redor é uma honra. Fica pra sempre vovô, vai embora não.
"BAM"! A chuva me pegou pelo caminho. Já estava quase chegando na casa do meu avô que mora logo alí
na Moreira César, mas, como ainda faltavam alguns metros, fui indo meio que de charme pra sentir a chuva.
Verdade, meu amigo, que meu comboio de corda anda um tanto assim de charme também, logo, a chuva se fez bem
útil nessa minha dor de cutuvelo. Dor essa que fica pra depois, não vou discorrer sobre minhas dores na minha
primeira crônica, não cabe. Bom, o fato é que depois de cabisbaixar pela rua, cheguei ao meu destino. Exausto.
Alguma vez você já percebeu que a chuva acaba com todas as suas forças e somente um banho quente salva? Pois é,
um banho quente, fechei a porta pensando nisso. Fui falar com meu avô que se encontrava sozinho em casa. Situação,
devo dizer, muito estranha, porque a casa dele mais parece domingo todo dia, sempre cheia de gente da família,
os netos, os filhos, os ajuntados e afins. Meu avô, porém, estava deitado. Aliás, por motivos de saúde, é assim que ele
passaa maior parte do seu tempo. Triste. Bem triste pra alguém que já foi coronel da polícia, apaixonado por pintura,
um músico (frustrado) e fazia suas vezes de piadista também até a primeira vez em que sentiu a fraqueza nas pernas e a
tremedeira. Amo tanto meu avô que chega a doer só de pensar em como isso destruiu a sua vida, mas nunca abalou sua fé
ou vontade de viver. Um dia ainda vou escrever um livro sobre a vida do meu avô e todo mundo vai entender o porque da minha
infinita admiração por esse homem. "Oi, vô!"- "Oi, Gabriel." Relampejou lá fora e alguém tocou a campainha. Era Nelly,
a vizinha de apartamento. Vivia sozinha desde quando sua irmã morreu. Tinha medo dos relâmpagos, dizia, e logo
foi entrando como se compartilhasse comigo da mesma intimidade que compartilhava com a minha avó. Sentou-se, não quis o café.
"É só pra eu não ficar sozinha, já vou embora.".E me contou da sua vida, de como foi enfrentar um vestibular (o primeiro para todo
o Brasil) e depois uma faculdade já aos cinquenta anos, do seu neto estudioso que logo vai para São Paulo e de seu neto
relapso que não quer se formar e por fim, chorou. Aquela mulher de oitenta anos chorou de alegria, por poder conversar com alguém e de tristeza
pela irmã, "faz dois anos...", repetia. E foi embora. Naquele momento percebi que meu avô sentia a mesma coisa alí naquele apartamento
vazio, sozinho. Minha avó tinha saído com meu tio para fazer compras e talvez ele estivesse pensando em todas as suas lutas
e como tinha parado alí deitado. Era meu dever ficar ao lado do meu avô agora. Deitei na cama, sorri e ele me contou suas histórias
também. Sabe, essas pessoas não deviam morrer. Envelhecer é uma benção - foi vovô que falou e completou ainda - mas envelhecer
com sua família ao seu redor é uma honra. Fica pra sempre vovô, vai embora não.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
115
Eis que fui parido nu
E por um acaso me tenho assim por dentro
Coloco a melhor roupa que possuo
E estou em pelo no pensamento
Vai ver foi assim que fiquei
Desprovido de ideias, de vontade
Larguei tudo por aí
Porém, agora me encontro em frente ao espelho
De terno, gravata, bem bonito
E mesmo assim, pelado.
Você não tem vergonha?
-Me perguntei uma vez-
Não.
-Concluí-
Fiquei assim aos poucos, já me acostumei
Não visto nada há tempos.
Quem me despiu levou a última calça que eu tinha
E agora só sobrou o terno, o fato, o linho
Me levou as calças e deixou a dor mais um cadinho
De dinheiro, preu comprar umas novas.
Comprei não.
Dá trabalho, sabe?
Pra ficar só por isso, eu te digo um segredo,
Trocaria toda a minha roupa de fora
Por minha calça de volta.
E por um acaso me tenho assim por dentro
Coloco a melhor roupa que possuo
E estou em pelo no pensamento
Vai ver foi assim que fiquei
Desprovido de ideias, de vontade
Larguei tudo por aí
Porém, agora me encontro em frente ao espelho
De terno, gravata, bem bonito
E mesmo assim, pelado.
Você não tem vergonha?
-Me perguntei uma vez-
Não.
-Concluí-
Fiquei assim aos poucos, já me acostumei
Não visto nada há tempos.
Quem me despiu levou a última calça que eu tinha
E agora só sobrou o terno, o fato, o linho
Me levou as calças e deixou a dor mais um cadinho
De dinheiro, preu comprar umas novas.
Comprei não.
Dá trabalho, sabe?
Pra ficar só por isso, eu te digo um segredo,
Trocaria toda a minha roupa de fora
Por minha calça de volta.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
114
Ah, que bom que voltou ao meio-dia essa cor tão melhor
Fica mais fácil sair assim na rua, a chuva teve dó
De mim
Que não sou ninguém, tudo bem, não esperava regalias
Mas quando o amor é bobo pensa que é causador de todos os dias
E é bom
Diga que não,
Vai,
Duvido,
Você sabe que é verdade, o florista sabe que é verdade
O vendedor da loja de chocolate sabe que é verdade
Os meteorologistas sabem que é verdade
Os poetas sabem que é verdade
E o bilheteiro do cinema sabe que é verdade
Quando eu vou acompanhando o mocinho na tela
Cheio de vontade
De tê-la
Rezando por um cruzar de mãos num saco de pipoca pela metade
Pra eu ter a noite mais bela
Que bom que a chuva teve dó
Talvez à pé nós voltemos às nossas casas
Por aquela rua que às mãos dadas
Cairá bem melhor.
Fica mais fácil sair assim na rua, a chuva teve dó
De mim
Que não sou ninguém, tudo bem, não esperava regalias
Mas quando o amor é bobo pensa que é causador de todos os dias
E é bom
Diga que não,
Vai,
Duvido,
Você sabe que é verdade, o florista sabe que é verdade
O vendedor da loja de chocolate sabe que é verdade
Os meteorologistas sabem que é verdade
Os poetas sabem que é verdade
E o bilheteiro do cinema sabe que é verdade
Quando eu vou acompanhando o mocinho na tela
Cheio de vontade
De tê-la
Rezando por um cruzar de mãos num saco de pipoca pela metade
Pra eu ter a noite mais bela
Que bom que a chuva teve dó
Talvez à pé nós voltemos às nossas casas
Por aquela rua que às mãos dadas
Cairá bem melhor.
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