parei pra me ouvir não sei se por 2 segundos ou 5 horas.
eu não me disse nada.
não por falta do que dizer,
mas por puro prazerde ouvir meu silêncio
se repetir e repetir e repetir.
um café me faria mais completo àquela altura
cruzei as pernas sobre a mesa,
tirei o telefone do gancho.
20 milhões de vezes estive e não estive,
dessa vez cruzei os braços.
parei de buscar sentido em mim
fechei meus olhos,
vi alguns elefantes voadores
e quando percebi era 9 de dezembro.
mais sabedoria?
não.
mais falta do que viver mesmo.
do meu lado um bolo,
do outro um copo.
do outro um corpo
que quanto mais deduzia sobre sua incapacidade,
menos capaz era.
é mais fácil se realizar nas coisas dos filmes,
viver romances em páginas,
choramingar por amores de outros autores
e se julgar inapto a ser regido pela falta de razão que cabe a cada um.
ia ser tão menos complexo se tudo se encerrasseem pouca tinta e algum papel...
falta coragem, falta ímpeto, falta qualquer coisa.
é mais fácil aceitar nossas mediocridades assim.
vamos brindar à liberdade!
somos ignorantes e não enxergamos que morremos todos os dia assim
nossa mortalidade provém desses momentos de autoinferiorização.
tomei outro gole de café.
comi um pouco de bolo,e decidi:
não me agrada minha escrita
nem me agradam grandes autores
e mesmo que você consiga transmitir o que tento dizer melhor que eu
(e que me perdoe a simplicidade e a falta de compromisso ás regras)
tente ao menos entender.
escrevi minha vida toda
é difícil parar.