sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

115

Eis que fui parido nu
E por um acaso me tenho assim por dentro
Coloco a melhor roupa que possuo
E estou em pelo no pensamento

Vai ver foi assim que fiquei
Desprovido de ideias, de vontade

Larguei tudo por aí
Porém, agora me encontro em frente ao espelho
De terno, gravata, bem bonito
E mesmo assim, pelado.

Você não tem vergonha?
-Me perguntei uma vez-
Não.
-Concluí-
Fiquei assim aos poucos, já me acostumei
Não visto nada há tempos.
Quem me despiu levou a última calça que eu tinha
E agora só sobrou o terno, o fato, o linho
Me levou as calças e deixou a dor mais um cadinho
De dinheiro, preu comprar umas novas.
Comprei não.
Dá trabalho, sabe?

Pra ficar só por isso, eu te digo um segredo,
Trocaria toda a minha roupa de fora
Por minha calça de volta.

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