sábado, 25 de setembro de 2010

142

Digamos que agora eu esteja só e que essa característica
Seja inerente aos meus últimos dias.
Seria eu mais triste?
Depende.
Tem dias em que meu quarto vira meu mundo
E dali não saio nem por decreto.
Decretos esses que eu mesmo crio em meu governo.
Soberano de minhas fantasias,
Deito e durmo.
Alguns outros dias me deixo sair pra dar uma olhada
No que se passa nesse mundo cheio de defeitos
No qual vocês vivem.
Confesso que se não tivesse meu quarto,
Se todo meu direito fosse tirado
E meu trono jogado em pilha de tralha,
Aí sim seria mais triste.
Não, eu não sou um sociopata.
Eu gosto de conviver em família
Ter amigos
Me divertir.
Só não gosto de corroborar com os padrões dessa vida
Que vocês levam.
Seria muito melhor se todas as pessoas vivessem no meu mundo
Mas no meu quarto não cabe todo mundo
Só eu
E, porque não,
Você.
Vem comigo.
Eu te mostro que aqui o sol nasce na hora que a gente quer
E você vai ter mais cinco minutinhos toda manhã.
Só chove quando você quiser ler um livro
Ou ficar o dia todo embaixo das cobertas
Comigo ao lado.
Ninguém vai te julgar
E você vai sempre estar como quiser estar
Independente do que espelhos,
Balanças,
Ou a televisão diga.
Até porque, por aqui isso só existe
Quando você quiser que exista.
Não há mais solidão
E todo dia você vai poder comer brigadeiro
Eu particularmente prefiro pudim
Mas se brigadeiro quiser
Brigadeiro terá.
Eu sempre direi o que você precisa ouvir
E sempre ouvirei o que você precisar dizer.
Não te prometo que todos os dias serão um mar de rosas
Até porque eu tenho vários defeitos
Só te peço paciência.
Sou um tanto novo nessa história de governante
E você bem sabe que política é uma coisa muito séria.
Por isso seus deveres como primeira dama serão de alto valor
Por aqui.
Na verdade você só terá uma tarefa muito importante:
Ser feliz.
Sejamos felizes,
Por assim dizer.

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