segunda-feira, 21 de junho de 2010

126

Eu te falei, foi vagalume
Piscou duas vezes não foi à toa
Estrela demora, demora..
Vagalume voa...voa..
Ele vai desenhando de traço em traço
Sem ligar se a tinta falhou
Sem parar pra refazer o que não foi feito
Nem iluminar o que sobrou
Vagalume brilha onde quer
Só se vê na escuridão
Dorme no dia
Voa sem rumo, no horizonte
É estrela de asas
É luz vadia independente
É inseto, é pirilampo
É lumeeiro, mosca-de-fogo
Salta-martim, salicu, pirífora
Alí tem outro
Onde?
Perdi de vista.

terça-feira, 15 de junho de 2010

125



(Gene Kelly)

Sempre que eu vejo a cena da chuva
Eu fico tão feliz quanto ele, de verdade.

124

O motivo da minha paz de espírito
É saber que só devo satisfações
Ao Divino
Quanto à vocês
Continuem defenestrando suas opiniões
Porque esse sorriso no meu rosto
Significa que tudo mais
Tanto faz.

terça-feira, 8 de junho de 2010

123

Eu pensei que sabia de tudo
Pensei que tinha conquistado
Visto, ido e vencido
Pensei que não tinha mais pra onde ir
Que era o mais certo
O perfeito
"Os fracos que se percam, eu vou sozinho."
"Os dias que passem, eu não ligo."
Pensei estar em sincronia com tudo que gira
Ao redor de mim
"E o que não giraria afinal?"
Neguei qualquer desvio de carácter
Qualquer desvio de atenção
Qualquer palavra, num dia de alto verão
Qualquer vento da primeira chuva de Março
Qualquer aviso do que viria a seguir
"Sou eu e mais ninguém."

É justo, meu amigo
Que quando o ego infla
Qualquer pequena abertura
Deixa o vazio passar.

Passou.
E o ar, que estufava meu peito
"Justificava" meu rugido
Vazou.
À cântaros, vazou.
Por dias, vazou.

É justo, minha amiga
Que quando a gente fica só por opção própria
Tudo que nos resta
É vazar... o ar... o choro... e fim.