quarta-feira, 3 de setembro de 2008

25




Meus amores platônicos me assombram.






E eu gosto muito.

sábado, 30 de agosto de 2008

24

Você acordou às dez da noite meio cansado, mas era sábado.
Levantou, tirou o celular do carregador e viu que ninguém tinha te ligado.
"Tudo bem", você pensa, "provavelmente alguém ainda vai me ligar...".

Por que a gente mente pra si mesmo nessas horas de solidão?

Você
desce
as
escadas
da casa.
Com certeza abrir a geladeira te faria menos, muito menos só.
Não tem nada alí. Nada que te faça feliz pelo menos.

Por que a gente não aceita logo a solidão e fica se remoendo?

Agora dá dois passos pra trás, olha pra noite lá fora, é tanto silêncio que chega a fazer barulho. Que falta faz alguém pra abraçar, né?
Lembra de todas de quem já partiu o coração.
Quem você encheu de esperança e não deu nada no fim.
Talvez essas pessoas tivessem dias assim também, por que você não liga?
Porque você não tem coragem. Uma oportunidade desperdiçada às vezes fica doendo na sua cabeça por meses ou até pra sempre.
Volta-se pra casa, olha aquele cenário insólito, tudo desligado, a secretária eletrônica não tem aquela luzinha que sempre te deu nó na garganta. Nem o engano erra mais em você.

Chato ainda é pouco, comum é melhor.

sábado, 12 de julho de 2008

23

Vinte e três.

Nem tudo é poesia.

terça-feira, 27 de maio de 2008

22

E vinha ela
Parecia que a emolduravam os outros
Do mundo.
No alto dos seus saltos
Me arrancava palpitares soluçantes.
Intercalado entre o barulho que tais número 15 faziam ao chão
Ia meu coração
Meio que entreaberto, diriam os mais sábios naquela hora.

Se aproximava
Me tinha todo nos seus olhos.
Já não podia escapar.
Fiquei estático.
Boquiaberto.

De que me valiam todos os conselhos que julguei tolos?
Talvez nada.
Não alí.

Quase encostou a boca à minha,
Estendeu a mão
(Ah como estendeu a mão...)
Moveu-a solene e adoravelmente no ar
E com precisão cirúrgica

Me deu um tapa.

Eu nunca disse que eu prestava.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

21

Perdoe a minha ignorância,
mas é certo que não vai perdoar
se eu esquecer seu aniversário
ou se esquecer qual foi o dia em que compramos o cachorro,
e se por acaso eu me esquecer o nome dele também não vai me perdoar.

É totalmente plausível a sua raiva
todas as vezes em que eu não te dou a mão na rua,
em que eu não te dou o presente de um mês,
em que eu fico em casa doente
e não posso sair pras festas dos seus amigos.

Eu até escuto você me chamar pelo telefone
quando às quatro e meia da manhã
me liga dizendo que a fome na África é grande
e que milhões de crianças morrem durante a sua tpm.

Só te peço que não chore,
porque hoje é o dia em que eu fui embora.
Troquei meu telefone,
mudei de endereço
e até dei um dinheiro pro porteiro não falar
a que horas eu saí de casa.

Só não chora.
Porque eu sei que você não vai perdoar nem a minha ignorância.

20

Eu tinha guardado pra mim
A vontade de dizer
Se eu penso em esquecer
Ou se quero seguir assim.

Cada escolha a partir de agora pode ser um erro.
E até posso estar errando em mostar
Que é mais fácil errar
Por desespero de acertar.

Por isso digo a todos que nessa noite de chuva,
O mundo passa aos nossos olhos
Que ainda são tão jovialmente adultos
E nos mandam escolher a só uma
Entre todas as outras
Como se fossemos casar.

E quando o mundo não for mais tão mundo
Quanto é mundo pra mim agora?
Será que meus olhos não mudarão de cor
De dentro pra fora?
Se meu desespero virar caos?
Se minha paixão virar amor?
Se minha solidão virar profundeza,
Ainda serei quem eu sou?