Que a minha cabeça ainda dói
Só de ter visto tamanha presunção.
Acontece nas melhores famílias.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
154
As pessoas sonham porque devem sonhar.
Se abraçam porque parecem se gostar
Relaxam quando querem descansar
Bebem pra comemorar.
As pessoas vivem porque é bom.
Se divertem com uma canção
Cantam fora do tom
Dormem quando se cansam
E aprendem coisas da vida, minha nega.
As pessoas se jogam de prédios
Nadam com tubarões
Se doentes tomam remédios
E se tristes perdem a razão.
As pessoas sentem medo porque devem
Com certas coisas não se brinca
Acabam descobrindo algumas verdades
Das quais se chora ou às quais se brinda.
As pessoas se espreguiçam porque se sentem bem.
Pulam na alegria do que de repente vem
Lêem nas entrelinhas porque são inteligentes
Ao menor sinal de felicidade, mostram ao mundo seus dentes.
As pessoas escrevem romances pra chorar.
Fazem comédia pra rir.
Sabem usar o que tem a mão.
São criativas ao ponto de irem à lua.
As pessoas ouvem os Beatles.
Quem não ouve os Beatles?
Repetem ditados populares para confirmar ideias
Acordam com bafo de manhã.
As pessoas sobem paredes e queimam colchões.
Se revoltam porque sentem que devem.
Fazem guerras contra si mesmas.
Caminham vagarosamente para o seu próprio fim.
As pessoas ou dizem muito ou não dizem nada.
Muitas sentem falta.
Irão sair hoje pra só voltar amanhã de manhã
Sabem saborear o gosto de uma boa maçã.
As pessoas sabem como se faz uma boa rima.
No fim do dia sentam nas suas poltronas.
Tomam banhos demorados
Querem sempre sair por cima.
As pessoas gostam de definir as coisas.
Escreveram um livro sobre a definição das coisas.
Existe um site onde você pode procurar a definição das coisas.
Não possuem nenhuma definição.
As pessoas são como devem ser.
Tropeçam sem querer.
Dirigem carros velozes em pistas perigosas
Não possuem o menor senso de praticidade.
As pessoas mentem pra se proteger.
Falam coisas que não deveriam.
Falam a verdade.
Falam como as outras estão bonitas hoje com aquele vestido novo.
As pessoas vão a festas.
Fazem casamentos
Tocam instrumentos
E sempre, sempre, mesmo que muito pouco e lá no fundo
São impactadas por esse tipo de coisa.
As pessoas, não você.
Porque
Diferente de todas elas
Só você pára o tempo.
Se abraçam porque parecem se gostar
Relaxam quando querem descansar
Bebem pra comemorar.
As pessoas vivem porque é bom.
Se divertem com uma canção
Cantam fora do tom
Dormem quando se cansam
E aprendem coisas da vida, minha nega.
As pessoas se jogam de prédios
Nadam com tubarões
Se doentes tomam remédios
E se tristes perdem a razão.
As pessoas sentem medo porque devem
Com certas coisas não se brinca
Acabam descobrindo algumas verdades
Das quais se chora ou às quais se brinda.
As pessoas se espreguiçam porque se sentem bem.
Pulam na alegria do que de repente vem
Lêem nas entrelinhas porque são inteligentes
Ao menor sinal de felicidade, mostram ao mundo seus dentes.
As pessoas escrevem romances pra chorar.
Fazem comédia pra rir.
Sabem usar o que tem a mão.
São criativas ao ponto de irem à lua.
As pessoas ouvem os Beatles.
Quem não ouve os Beatles?
Repetem ditados populares para confirmar ideias
Acordam com bafo de manhã.
As pessoas sobem paredes e queimam colchões.
Se revoltam porque sentem que devem.
Fazem guerras contra si mesmas.
Caminham vagarosamente para o seu próprio fim.
As pessoas ou dizem muito ou não dizem nada.
Muitas sentem falta.
Irão sair hoje pra só voltar amanhã de manhã
Sabem saborear o gosto de uma boa maçã.
As pessoas sabem como se faz uma boa rima.
No fim do dia sentam nas suas poltronas.
Tomam banhos demorados
Querem sempre sair por cima.
As pessoas gostam de definir as coisas.
Escreveram um livro sobre a definição das coisas.
Existe um site onde você pode procurar a definição das coisas.
Não possuem nenhuma definição.
As pessoas são como devem ser.
Tropeçam sem querer.
Dirigem carros velozes em pistas perigosas
Não possuem o menor senso de praticidade.
As pessoas mentem pra se proteger.
Falam coisas que não deveriam.
Falam a verdade.
Falam como as outras estão bonitas hoje com aquele vestido novo.
As pessoas vão a festas.
Fazem casamentos
Tocam instrumentos
E sempre, sempre, mesmo que muito pouco e lá no fundo
São impactadas por esse tipo de coisa.
As pessoas, não você.
Porque
Diferente de todas elas
Só você pára o tempo.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
151 - Seu Basílio e a Lei da Gravidade.
Seu Basílio não gostava das pessoas, melhor, às achava idiotas. Se encontrava no topo de seus, como gostava de vociferar por aí, "cinquenta e sete bem-vividos anos".Porém, apesar de sua ranzizice, era dotado de um afiadíssimo senso de humor, o que o tornava uma figura muito complicada de se conviver. Seus dois filhos já haviam se mudado a algum tempo, ambos casados, com boa família e empregos, de modos que, Seu Basílio não tinha muito a quem apurrinhar. Bem, um dia, durante mais um de seus extensos monólogos à mesa que não era vazia apenas pela presença de sua (a essa altura) distraída esposa, teve uma ideia brilhante. Decidiu provar para todos o quanto realmente burros eram. Sim, faria uma gozação da sociedade e de quebra provaria a sua tese. Finalmente provaria que todas as pessoas são idiotas mesmo organizando um abaixo-assinado exigindo a revogação da Lei da Gravidade. Era sórdido, e, como se despunha de um caminhão de tempo livre visto que era aposentado, isso lhe ocuparia a mente e traria diversão para o resto da vida. E foi. Montou um estande alí perto da avenida principal da sua cidadezinha média. Começou a gritar e fazer comícios no meio da rua, exibindo suas ideias, vendo se algum daqueles transeuntes engolia sua ideia... E chocou-se. Chocou-se com a quantidade de gente que atraira. Talvez pelas suas grandes e reconhecidas capacidades de orador, como ele mesmo pensava e em grande parte também pela própria ignorância das pessoas, porque não? Estava certo. Todos da cidade assinaram, exceto alguns auto-intitulados intelectuais , os quais, vale dizer, rapidamente perceberam a intenção de Seu Basílio e ficavam a rir pelos cantos, dividindo com ele aquele orgulho de terem sido os poucos a entender a piada. Agora, dispondo de seu abaixo-assinado repleto da tinta de todos os otários possíveis, decidiu ir mais longe. Provaria que até os políticos da cidade eram completos imbecis. Marcou hora com o prefeito, foi a câmara dos vereadores, elaborou um detalhado estudo sobre como a ausência da gravidade ajudaria as pessoas deficientes e com problemas lombares. Ria, ria infinitamente e riu mais ainda quando o projeto foi aprovado e entraria em voga na segunda quinzena de maio. Organizou uma festa. Montou um palanque no qual saborearia sua vitória tirando sarro da cara de todos. Apontaria dedos e repetiria tudo aquilo que a sua esposa e filhos se cansaram de ouvir durante todos os anos à mesa de refeição. Ele finalmente seria justificado e finalmente poderia falar com razão sobre a idiotice das pessoas. Isso se naquela manhã do dia dezessei de maio, suas cuecas não estivessem no teto, ou se a sua cama não estivesse zanzando a esmo pelos cômodos da casa que também não estavam no chão. Para seu espanto e para felicidade geral da nação, a Lei da Gravidade tinha sido revogada e os problemas na coluna diminuiram em sessenta e três vírgula cinco por cento na região. Tudo graças a seu árduo empenho por essa causa. Talvez as pessoas não fossem tão idiotas assim.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
149
Ainda tenho tempo?
Tá gravando?
Então tá.
Digo que sou eu mesmo por uma pontinha de falta do que ser.
Veja bem, não me arrependo de ter me tornado eu mesmo
Mas digamos que acabei sendo o que sou por vários acasos.
Um amigo meu me emprestou um livro, muito bom por sinal
E esse livro diz
Que somos muito mais
Do que as partes que nos formam.
Justo.
Concordo plenamente.
As minhas partes não me limitaram de forma alguma.
Na verdade, não limitam meus anseios
Até porque, pra suprir a carência de algumas das minhas partes
Desejo mais de mim mesmo.
Complexo não?
Eu nunca disse que era uma pessoa simples
Talvez dado à simplicidades
Mas não simples.
Ninguém o é.
Se sou qualquer pedaço de coisa hoje
É porque tudo que me trouxe valeu de algo.
Já discuti isso antes com várias pessoas,
Gosto de dialogar
Trocar ideias
Expandir um pouco as partes componentes de minha razão.
Essas então...
Não existem limites para a compreensão de uma pessoa
Que gosta de saber o porque das coisas
E acho que aí mora toda a nossa superioridade às partes
Que nos formam.
A vontade de aprender sobre que tudo que virá
E a capacidade de compreender tudo que foi
É isso que nos impulsiona a ser maiores que nós mesmos.
A avidez de questionar o mundo.
Vivi a minha fase 15 anos
Sei como é não saber de nada e achar que sabe tudo
Sei como é achar que tem as repostas
Sem nunca realmente ter feito as perguntas certas
Nas horas certas
Para as pessoas certas.
Mas valeu
E ainda vale
Um tanto porque ainda vivo esse processo e espero continuar vivendo
E um tanto porque gosto de saber de tudo
Curiosidade de menino que pensa que é homem.
Talvez ainda não seja nada
Nem esteja a meio caminho de ser
Mas sinto que se me mantiver querendo saber de tudo
Um dia tudo
É o que vai compor as partes
De mim.
Pode desligar agora.
Acho que deu.
Tá gravando?
Então tá.
Digo que sou eu mesmo por uma pontinha de falta do que ser.
Veja bem, não me arrependo de ter me tornado eu mesmo
Mas digamos que acabei sendo o que sou por vários acasos.
Um amigo meu me emprestou um livro, muito bom por sinal
E esse livro diz
Que somos muito mais
Do que as partes que nos formam.
Justo.
Concordo plenamente.
As minhas partes não me limitaram de forma alguma.
Na verdade, não limitam meus anseios
Até porque, pra suprir a carência de algumas das minhas partes
Desejo mais de mim mesmo.
Complexo não?
Eu nunca disse que era uma pessoa simples
Talvez dado à simplicidades
Mas não simples.
Ninguém o é.
Se sou qualquer pedaço de coisa hoje
É porque tudo que me trouxe valeu de algo.
Já discuti isso antes com várias pessoas,
Gosto de dialogar
Trocar ideias
Expandir um pouco as partes componentes de minha razão.
Essas então...
Não existem limites para a compreensão de uma pessoa
Que gosta de saber o porque das coisas
E acho que aí mora toda a nossa superioridade às partes
Que nos formam.
A vontade de aprender sobre que tudo que virá
E a capacidade de compreender tudo que foi
É isso que nos impulsiona a ser maiores que nós mesmos.
A avidez de questionar o mundo.
Vivi a minha fase 15 anos
Sei como é não saber de nada e achar que sabe tudo
Sei como é achar que tem as repostas
Sem nunca realmente ter feito as perguntas certas
Nas horas certas
Para as pessoas certas.
Mas valeu
E ainda vale
Um tanto porque ainda vivo esse processo e espero continuar vivendo
E um tanto porque gosto de saber de tudo
Curiosidade de menino que pensa que é homem.
Talvez ainda não seja nada
Nem esteja a meio caminho de ser
Mas sinto que se me mantiver querendo saber de tudo
Um dia tudo
É o que vai compor as partes
De mim.
Pode desligar agora.
Acho que deu.
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