Acontece que esses dias eu estava lá no Detran pra resolver uns assuntos da minha carteira de motorista. E de repente vem um homem e, como se esperasse tão entediado como eu, sentou ao meu lado, sacou o celular e fez uma ligação. Acontece também, que a ligação que ele fez foi lá pra Minas ( a julgar pelo sotaque, obviamente). Ele disse, em alto e bom som, um "alô" com aquele "a" danaaaaaaa di puxádo, sô. Sujeito engraçado aquele. Ele tinha ligado pra esposa. A maneira daquele mineiro tratar com tanto carinho a mulher me comoveu, confesso. Nunca tinha visto ninguém conversar assim tão apaixonado no telefone. Os olhos dele brilhavam, ele tinha um sorriso bobo, e , apesar de ser uns sete anos mais velho que eu, parecia um menino com a primeira namorada. Deve ser bom viver assim. Viver ao lado de quem se gosta. Talvez seja até esse o sentido da vida e a resposta daquelas perguntas infames que fazemos aos nossos pais só pra vê-los titubiar. Estar ao lado de alguém que se goste de verdade é difícil porque é muito mais fácil ( e até mais cômodo) deixar-se ir. Ás vezes falta coragem, disposição, paciencia... mas através daquele homem eu pude ver que valia a pena. Vale a pena aguentar os solavancos da vida e tudo que ela impõe por aqueles que amamos. Só pra depois não precisar lamentar erros e auxências. Aquele cara tinha tudo decifrado, tinha tudo sabido e só estava vivendo, estava esperando, estava telefonando...
Por assim dizer, chegou a minha vez, levantei e saí.
Chegou a minha vez.
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