quinta-feira, 29 de novembro de 2012
244
Eu luto.
Luto pelo meu sangue que faz correr a adrenalina
De simplesmente enfrentar o medo.
Luto pelas minhas dores
E a anestesia que as faz ir embora.
Luto para esquecer de todas as outras coisas desse
Mundo.
Eu luto
E nunca mais vou parar de lutar.
Luto pelo meu sangue que faz correr a adrenalina
De simplesmente enfrentar o medo.
Luto pelas minhas dores
E a anestesia que as faz ir embora.
Luto para esquecer de todas as outras coisas desse
Mundo.
Eu luto
E nunca mais vou parar de lutar.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
243
De repente descobri que minha alma era de ouro.
O que me causou certo espanto, visto que nunca tive muito
E exatamente por viver de tão pouco
Planejei meu fim completamente outro.
Agora tenho temores que antes julgava completamente fúteis
Roubarão minha alma, e sobrarão apenas restos inúteis
Somente as partes dela que nem eu mesmo quero
As não lustradas, as escondidas, as erradas
Aquilo que me faz feio e aprendi a esconder
Nos anos em que me imaginei outro.
Ouro não tem falhas, tem brilho eterno
Ouro não se deixa envelhecer.
Admiram sua resilência
Como se a minha alma se justificasse apenas por ser
E tudo que não é,
Ela trata algum valor
Para ter.
No fundo, eu preferia o seu jeito antigo
Meio inibido
Da força que ela tinha quando ainda não sabia
O quanto ela deveria valer.
O que me causou certo espanto, visto que nunca tive muito
E exatamente por viver de tão pouco
Planejei meu fim completamente outro.
Agora tenho temores que antes julgava completamente fúteis
Roubarão minha alma, e sobrarão apenas restos inúteis
Somente as partes dela que nem eu mesmo quero
As não lustradas, as escondidas, as erradas
Aquilo que me faz feio e aprendi a esconder
Nos anos em que me imaginei outro.
Ouro não tem falhas, tem brilho eterno
Ouro não se deixa envelhecer.
Admiram sua resilência
Como se a minha alma se justificasse apenas por ser
E tudo que não é,
Ela trata algum valor
Para ter.
No fundo, eu preferia o seu jeito antigo
Meio inibido
Da força que ela tinha quando ainda não sabia
O quanto ela deveria valer.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
242
Deixa cair o muro como cai teu cabelo aos ombros
Ignora todos os nossos desencontros
Antes que amanheça de novo
Gira a maçaneta, me convida pra um café
Um almoço, uma tarde qualquer
Que em dois tempos me faço moço
Quem há de temer essas mãos magras e pálidas?
Quem há de sofrer por nunca mais tocá-las?
Só aqueles que já a tiveram por ínfimo tempo.
Chama pelo meu nome espivitada, desarrumada
Mas eu te olho a mais perfumada
Do meu salão de dentro.
Pega emprestado e rasga
Joga pro alto e faz graça
Pobre do meu coração avarento
Ignora todos os nossos desencontros
Antes que amanheça de novo
Gira a maçaneta, me convida pra um café
Um almoço, uma tarde qualquer
Que em dois tempos me faço moço
Quem há de temer essas mãos magras e pálidas?
Quem há de sofrer por nunca mais tocá-las?
Só aqueles que já a tiveram por ínfimo tempo.
Chama pelo meu nome espivitada, desarrumada
Mas eu te olho a mais perfumada
Do meu salão de dentro.
Pega emprestado e rasga
Joga pro alto e faz graça
Pobre do meu coração avarento
Sobre os peixes fora d'água
Eu acho que de tempos em tempos todos deveríamos nos colocar em alguma situação em que não estamos realmente confortáveis. Mas veja bem, não estou te dizendo pra se colocar em risco, pular de um prédio ou qualquer outra maluquice do gênero, só fazer algo diferente, variar. Não sou, muito menos, o mais aventureiro dos meus amigos, tenho medo de várias coisas e tem tantas outras que eu jamais tentaria mas o que é a vida sem as suas oscilações? Temos que saber variar, viajar, tentar novos hobbies. Sabe, conheço algumas pessoas que tem andado chateados com a rotina e em grande parte isso faz parte do processo de crescimento, tudo bem, mas tudo pode ser suavizado. Tudo pode ser melhorado. Já tive as minhas desilusões e creio que ainda terei infinitas outras mas acho que finalmente enxerguei uma solução pra todas elas, coloque-se fora d'água.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
domingo, 2 de setembro de 2012
239
Quem te fez tão felina, menina?
Desliza pelos meus toques com maciez sem par
Ronrona baixo como quem espera o que virá
Diz pra mim menina, quem te fez tão felina.
Teus pelos que sabem se eriçar na hora exata,
Tuas unhadas que não deixam marca
Movimentos simples
Mas ritmados em sonata.
Que olhos, menina, que olhos são esses?
Quem foi que fez teu olhar tão suplantador?
Quando mordes os lábios já não são precisos
Não existe nenhuma dor.
Assim como quem engana
E faz ceder pelo que quer
Tudo que teus olhos têm de menina, morena
Teus desejos têm de mulher
Há outros lugares em que estive
Outros braços em que deitei
Outras risadas, outros laços, outros casos
Sendo bastante exato
Posso dizer
Não encontrei querer maior em ser e não ser
Em ter e não ter
Em entregar-se, amar, amar, amar e desgarrar-se
Em viajar e voltar
Como aquele que encontrei em você.
Menina e que solidão é, menina
Quando você vai
Fico eu lembrando as suas minúcias
Dos teus gostos
Das tuas histórias
E como é felina menina,
Em cada ponto teu
Quem foi que te fez assim?segunda-feira, 30 de julho de 2012
237
Oi,
Como vai de viagem? Ouvi dizer que aí faz frio. Lembro das vezes em que passamos frio e em todas elas você reclamou, mas não acho que esteja reclamando muito agora. Aviões são maiores do que carros. Só não são maiores que o meu silêncio durante todo esse tempo, veja bem, não me interprete errado, acho que foi justo e benéfico pra todo mundo aqui. Enfim, eu nunca tinha te dito nada depois daquele dia que eu nem sei se você vai se lembrar, mas é isso. Parabéns, seja feliz, como eu acho e espero que você esteja sendo.
terça-feira, 3 de julho de 2012
segunda-feira, 4 de junho de 2012
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Sobre mim, as estrelas e todos nós
Todos temos nossos pequenos troféus. Fatos muitas vezes banais mas que carregamos estampados em nossos orgulhos como se fossem vitórias. Não consigo chamar isso de memória, para nós esses fatos são fiozinhos de realidade em que podemos voltar de novo e de novo só pra saborear. Troféu na estante se admira, ficamos polindo e polindo várias vezes pra nos lembrar o quão foi bom ganhá-los.
Não sou o mais visionário dos meus amigos. Não sou o mais polido, não sou o mais inteligente e muito menos o mais inovador, apenas gosto de observar coisas. Gosto de aprender delas o sentido, gosto de escutar o que não dizem e procurar o que não mostram. Gosto de entender as coisas não sei se por diversão, passa-tempo ou necessidade. Todos temos as nossas necessidades. Todos temos as nossas manias. Todos temos as nossas esquisitices maravilhosamente não-programadas onde somos fortes e frágeis, guardamos um pouco e mostramos outro tanto, é bom que ninguém saiba de tudo.
Nos preocupamos, e basicamente vivemos disso. O que é a vida se não uma grande preocupação? Muitos de nós, arrisco até que todos, já nos pegamos várias vezes cansados de viver, de sentir preocupações e ter compromissos. Só queria que a semana acabasse. Falta quanto tempo pra dezembro? A vida seria tão melhor se fosse outra...
Estando assim deitei para observar estrelas. Não tinha ninguém em casa, nem nos vizinhos. Já era tarde e as crianças não brincavam na rua, eu era atrapalhado por poucos barulhos. Céu aberto, iluminado, aquela luz já era o suficiente pra que eu pudesse enxergar dois palmos na minha frente, era uma noite linda.
Temos às vezes atitudes naturais. Movimentos que não entendemos e naquela hora, meu corpo estendeu o braço e eu então pude sentir. Havia calor em minha mão. No tempo em que as sinapses do meu cérebro foram ativadas e os sensores detectaram o toque, uma explicação fantástica se formou na minha cabeça, era possível sim, eu toquei uma estrela. Os olhos se arregalaram e eu senti um soluço apertar o peito. Uma ¨gota fria desceu a coluna, era um milagre, eu toquei uma estrela. Não existia palavra, não existia tempo, não existia brisa, não existia passado, não existia mais nada, apenas a minha mão estendida àquele momento. A estrela em toda sua luminescência escapando por entre os meus dedos. Sorri, ninguém nunca vai me roubar esse momento.
A estrela piscou.
E piscou de novo.
E voou.
Era um vagalume.
Gargalhei, coloquei meu troféu na parede e me deitei novamente. Aquele foi o meu milagre, foi onde finalmente olhei a face sincera de Deus, onde posso voltar e ser feliz. Quantas vezes não me peguei admirando vagalumes sem perceber que podia tocá-los? Quantas vezes deixei de tentar por achar que estrelas eram muito distantes? Quer saber amigo, eu vou pra lua. Não deve ser tão longe assim.
Quando eu chegar lá mando um vagalume te avisar.
Não sou o mais visionário dos meus amigos. Não sou o mais polido, não sou o mais inteligente e muito menos o mais inovador, apenas gosto de observar coisas. Gosto de aprender delas o sentido, gosto de escutar o que não dizem e procurar o que não mostram. Gosto de entender as coisas não sei se por diversão, passa-tempo ou necessidade. Todos temos as nossas necessidades. Todos temos as nossas manias. Todos temos as nossas esquisitices maravilhosamente não-programadas onde somos fortes e frágeis, guardamos um pouco e mostramos outro tanto, é bom que ninguém saiba de tudo.
Nos preocupamos, e basicamente vivemos disso. O que é a vida se não uma grande preocupação? Muitos de nós, arrisco até que todos, já nos pegamos várias vezes cansados de viver, de sentir preocupações e ter compromissos. Só queria que a semana acabasse. Falta quanto tempo pra dezembro? A vida seria tão melhor se fosse outra...
Estando assim deitei para observar estrelas. Não tinha ninguém em casa, nem nos vizinhos. Já era tarde e as crianças não brincavam na rua, eu era atrapalhado por poucos barulhos. Céu aberto, iluminado, aquela luz já era o suficiente pra que eu pudesse enxergar dois palmos na minha frente, era uma noite linda.
Temos às vezes atitudes naturais. Movimentos que não entendemos e naquela hora, meu corpo estendeu o braço e eu então pude sentir. Havia calor em minha mão. No tempo em que as sinapses do meu cérebro foram ativadas e os sensores detectaram o toque, uma explicação fantástica se formou na minha cabeça, era possível sim, eu toquei uma estrela. Os olhos se arregalaram e eu senti um soluço apertar o peito. Uma ¨gota fria desceu a coluna, era um milagre, eu toquei uma estrela. Não existia palavra, não existia tempo, não existia brisa, não existia passado, não existia mais nada, apenas a minha mão estendida àquele momento. A estrela em toda sua luminescência escapando por entre os meus dedos. Sorri, ninguém nunca vai me roubar esse momento.
A estrela piscou.
E piscou de novo.
E voou.
Era um vagalume.
Gargalhei, coloquei meu troféu na parede e me deitei novamente. Aquele foi o meu milagre, foi onde finalmente olhei a face sincera de Deus, onde posso voltar e ser feliz. Quantas vezes não me peguei admirando vagalumes sem perceber que podia tocá-los? Quantas vezes deixei de tentar por achar que estrelas eram muito distantes? Quer saber amigo, eu vou pra lua. Não deve ser tão longe assim.
Quando eu chegar lá mando um vagalume te avisar.
terça-feira, 1 de maio de 2012
233
A quinta taça de vinho me fez lembrar dos dias que estive por mim mesmo
E tenho estado por mim.
É sim um problema, talvez seja mais do que minha história até
Talvez seja uma prerrogativa de ser eu mesmo.
Complexo, mas minha cabeça gira um tanto e não consigo ter a compreensão simples que a
Sobriedade
Me confere ou conferiria em bons tempos.
Já não sou sóbrio faz uns tempos.
E tenho estado por mim.
É sim um problema, talvez seja mais do que minha história até
Talvez seja uma prerrogativa de ser eu mesmo.
Complexo, mas minha cabeça gira um tanto e não consigo ter a compreensão simples que a
Sobriedade
Me confere ou conferiria em bons tempos.
Já não sou sóbrio faz uns tempos.
sábado, 24 de março de 2012
232
Que a vida é maluca e imprevisível eu já sabia
Estava avisado de suas voltas até
Mas não esperava por parafusos, loopings e tantos enjoos no percurso.
De vez em quando as pessoas voltam
E fazem tudo que você queria que elas fizessem
Mas só que dessa vez na hora errada.
Vai ver nem seja a hora errada, vai ver elas nem estão realmente fazendo
O que você gostaria que fizessem
Você pode estar completamente enganado
E mesmo assim pode cair duas vezes no mesmo buraco, no mesmo lugar.
É como alguém que se perde numa floresta
E depois de algum tempo caminhando
Se depara com aquela árvore que tinha marcado justamente
Pra não se perder
E mesmo assim se perde.
É escolher estar errado.
"As pessoas mudam" você gosta de se dizer
"Tudo pode ser diferente", o pensamento não vai embora tão fácil.
Einstein já disse:
"Burrice é fazer a mesma coisa várias vezes e esperar resultados diferentes".
Mas quem é Einstein, não é?
Não Gabriel, não é nada disso que você pensa
Não
É
Nada
Disso.
Agora continua vivendo a sua vida
E deixa isso pra lá.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
231
"Esse mundo é muito grande, Gabriel. Talvez por isso nada seja tão derradeiro assim."
Sentado na beira do mundo, com o abismo correndo na planta dos pés
O som do riacho se faz ecoar por entre as paredes altas até o azul do céu.
Sim vó, você estava certa.
Não existem finais plenos de término
Apenas a vida que se inicia e reinicia, com a facilidade do apertar de botão.
O final é o novo começo
E a partir daí tudo se refaz.
O tempo segue
E temos que seguir com ele,
Não é questão de escolha.
Não paramos e esperamos a curtina fechar quando acabamos um ato de nossas vidas.
Muito menos esperamos aplausos
Ou vemos créditos subirem na nossa frente.
Apenas continuamos a viver no final de cada história.
Ainda que seu coração seja partido
Ainda que você ganhe na loteria
Ainda que a sua vida mude completamente da noite pro dia
Amanhã você vai ter que acordar, se espreguiçar
E continuar vivendo.
É exatamente nisso que temos que pautar nossas tristezas
Amanhã o dia vai nascer de novo
E vamos seguir com tudo
Quem sabe até conseguir medir o tamanho do mundo
Que é grande, muito grande
Pra ter final.
Já fiquei chato, vou parar por aqui.
Tchau.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
230
Olhei pra trás na areia e vi minhas pegadas.
Várias delas fundas e pesadas do tempo em que andei preocupado
Outras mais razas da vez em que corria
Algumas até já tinham sido apagadas pela maré que batia
Mas apesar de tudo isso elas ainda estavam alí.
Marcavam a minha passagem, meu rastro, o caminho que me trouxe.
As curvas que fiz, lugares onde parei.
Olhando pra lá agora tudo parece tão mais claro.
Olhie pra frente e vi toda a areia vazia que ainda se estendia pela praia.
Pra que lado eu andaria?
Estaria mais quente alguma parte onde eu possivelmente queimaria meu pé?
Não sei, não tenho como saber.
Parei pra pensar em quantas vezes eu já havia me feito essas perguntas no trajeto até alí
E quantas outras eu nem me preocupei com esse fato.
Só quis caminhar
Só caminharia se quisesse.
A maré sobe e molha meus dedos
O vento bate no meu peito
E o sol ainda brilha no meu rosto.
Eu estou vivo
Vim até aqui
E continuarei a seguir meu caminho
Seja lá ele qual seja.
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