quinta-feira, 13 de setembro de 2012

243

De repente descobri que minha alma era de ouro.
O que me causou certo espanto, visto que nunca tive muito
E exatamente por viver de tão pouco
Planejei meu fim completamente outro.
Agora tenho temores que antes julgava completamente fúteis
Roubarão minha alma, e sobrarão apenas restos inúteis
Somente as partes dela que nem eu mesmo quero
As não lustradas, as escondidas, as erradas
Aquilo que me faz feio e aprendi a esconder
Nos anos em que me imaginei outro.
Ouro não tem falhas, tem brilho eterno
Ouro não se deixa envelhecer.
Admiram sua resilência
Como se a minha alma se justificasse apenas por ser
E tudo que não é,
Ela trata algum valor
Para ter.
No fundo, eu preferia o seu jeito antigo
Meio inibido
Da força que ela tinha quando ainda não sabia
O quanto ela deveria valer.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

242

Deixa cair o muro como cai teu cabelo aos ombros
Ignora todos os nossos desencontros
Antes que amanheça de novo

Gira a maçaneta, me convida pra um café
Um almoço, uma tarde qualquer
Que em dois tempos me faço moço

Quem há de temer essas mãos magras e pálidas?
Quem há de sofrer por nunca mais tocá-las?
Só aqueles que já a tiveram por ínfimo tempo.

Chama pelo meu nome espivitada, desarrumada
Mas eu te olho a mais perfumada
Do meu salão de dentro.

Pega emprestado e rasga
Joga pro alto e faz graça
Pobre do meu coração avarento


Sobre os peixes fora d'água

Eu acho que de tempos em tempos todos deveríamos nos colocar em alguma situação em que não estamos realmente confortáveis. Mas veja bem, não estou te dizendo pra se colocar em risco, pular de um prédio ou qualquer outra maluquice do gênero, só fazer algo diferente, variar. Não sou, muito menos, o mais aventureiro dos meus amigos, tenho medo de várias coisas e tem tantas outras que eu jamais tentaria mas o que é a vida sem as suas oscilações? Temos que saber variar, viajar, tentar novos hobbies. Sabe, conheço algumas pessoas que tem andado chateados com a rotina e em grande parte isso faz parte do processo de crescimento, tudo bem, mas tudo pode ser suavizado. Tudo pode ser melhorado. Já tive as minhas desilusões e creio que ainda terei infinitas outras mas acho que finalmente enxerguei uma solução pra todas elas, coloque-se fora  d'água.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

241

As pessoas precisam desacelerar.
Vai devagar
Compreende o tempo e seu espaço
Reveja seus passos
Nada está tão certo
Ou tão errado
Só vai.

240

O homem morre pela boca
Mas padece do coração.

domingo, 2 de setembro de 2012

239

Quem te fez tão felina, menina?
Desliza pelos meus toques com maciez sem par
Ronrona baixo como quem espera o que virá
Diz pra mim menina, quem te fez tão felina.

Teus pelos que sabem se eriçar na hora exata,
Tuas unhadas que não deixam marca
Movimentos simples
Mas ritmados em sonata.

Que olhos, menina, que olhos são esses?
Quem foi que fez teu olhar tão suplantador?
Quando mordes os lábios já não são precisos
Não existe nenhuma dor.
Assim como quem engana
E faz ceder pelo que quer
Tudo que teus olhos têm de menina, morena
Teus desejos têm de mulher

Há outros lugares em que estive
Outros braços em que deitei
Outras risadas, outros laços, outros casos
Sendo bastante exato
Posso dizer
Não encontrei querer maior em ser e não ser
Em ter e não ter
Em entregar-se, amar, amar, amar e desgarrar-se 
Em viajar e voltar
Como aquele que encontrei em você.

Menina e que solidão é, menina
Quando você vai
Fico eu lembrando as suas minúcias
Dos teus gostos
Das tuas histórias
E como é felina menina,
Em cada ponto teu
Quem foi que te fez assim?