segunda-feira, 13 de setembro de 2010

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Hoje eu fui buscar o carro do meu pai na oficina. Ele já tinha reclamado duas vezes do polimento do cara de lá e, pro meu não-espanto, o trabalho tinha ficado uma bosta de novo. Eu, que achei que ia voltar de carro pra casa, só fiz cara de mal-amado. Voltei de lá à pé. Na verdade eu fui andando até a Roberto Silveira e lá parei no sinal aberto aos carros. Ben l'Oncle desferindo seu soul nos meus fones de ouvido e eu olhei pra baixo como quem só quer esperar o sinal abrir pra atravessar.Foi quando vi meu tênis velho e rasgado, comprado faz muito tempo, enquanto atravessar aquela rua teve vários outros significados. Eu fiquei me perguntado quantas vezes a minha história já atravessou aquela avenida. Quantas vezes aquele meu tênis beijou o asfalto em passos apressados, felizes, tristes... Quantas vezes mais atravessaria? Quantas pessoas já não sentiram a mesma sensação? Aposto que você também tem momentos assim na sua vida, eu tenho muitos. Ás vezes uma coisa muito simples me faz refletir por horas e horas e horas... E eu continuei lá parado me lembrando de cada momento, cada época da minha vida e de como eu era mais magro, mais burro, mais novo...diferente. No entanto a Avenida Roberto Silveira sempre a mesma, tão pulsante e imponente no coração da minha cidade de médio porte. O sinal fechou aos carros e mais uma vez, a minha história passou por lá.

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