quinta-feira, 16 de setembro de 2010
136 - O samba de José Pereira.
José Pereira se declarava o melhor sambista da sua rua. Não tinha nem conversa, ele era o melhor de todos. Talvez fosse, não sei, mas todo mundo duvidava. Uns vizinhos, que moravam mais em baixo na rua, diziam que fazia muito tempo não o ouviam mais dedilhar uma corda que fosse. "Já aposentou o pinho, não deve valer de mais nada..."; "Se bobear o velho morreu... não vem aqui no bar faz uma semana...". É engraçado o modo com que as pessoas encaram a vida. O que envelhece perde o brilho, o significado e o valor. Não o samba de José Pereira. O samba de José Pereira era ouro e, só depois de velho, foi garimpado dos becos escuros daquele subúrbio mal informado. Aconteceu que em visita ao bairro carente, um grupo de americanos descobriu José Pereira e seu samba dourado. Não quiseram nem esperar que ele arrumasse suas coisas e logo o embarcaram rumo ao sucesso em Nova Iorque à lá João Gilberto. Pobres vizinhos que precisaram chamar o corpo de bombeiros pra descobrir uma casa vazia. José Pereira, tido como velho caduco, como desaparecido por possível óbito em domicílio, que não tinha família por assumir um estilo "malandro carioca" de vida, brilhava nos palcos americanos desfilando seu garboso samba. José Pereira teve de ser reconhecido por outros.Nós estávamos cegos e não vimos que às vezes o que reluz pode ser ouro, ou samba. O samba de José Pereira.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário