segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sobre mim, as estrelas e todos nós

Todos temos nossos pequenos troféus. Fatos muitas vezes banais mas que carregamos estampados em nossos orgulhos como se fossem vitórias. Não consigo chamar isso de memória, para nós esses fatos são fiozinhos de realidade em que podemos voltar de novo e de novo só pra saborear. Troféu na estante se admira, ficamos polindo e polindo várias vezes pra nos lembrar o quão foi bom ganhá-los.

Não sou o mais visionário dos meus amigos. Não sou o mais polido, não sou o mais inteligente e muito menos o mais inovador, apenas gosto de observar coisas. Gosto de aprender delas o sentido, gosto de escutar o que não dizem e procurar o que não mostram. Gosto de entender as coisas não sei se por diversão, passa-tempo ou necessidade. Todos temos as nossas necessidades. Todos temos as nossas manias. Todos temos as nossas esquisitices maravilhosamente não-programadas  onde somos fortes e frágeis, guardamos um pouco e mostramos outro tanto, é bom que ninguém saiba de tudo.

Nos preocupamos, e basicamente vivemos disso. O que é a vida se não uma grande preocupação? Muitos de nós, arrisco até que todos, já nos pegamos várias vezes cansados de viver, de sentir preocupações e ter compromissos. Só queria que a semana acabasse. Falta quanto tempo pra dezembro? A vida seria tão melhor se fosse outra...

Estando assim deitei para observar estrelas. Não tinha ninguém em casa, nem nos vizinhos. Já era tarde e as crianças não brincavam na rua, eu era atrapalhado por poucos barulhos. Céu aberto, iluminado, aquela luz já era o suficiente pra que eu pudesse enxergar dois palmos na minha frente, era uma noite linda.

Temos às vezes atitudes naturais. Movimentos que não entendemos e naquela hora, meu corpo estendeu o braço e eu então pude sentir. Havia calor em minha mão. No tempo em que as sinapses do meu cérebro foram ativadas e os sensores detectaram o toque, uma  explicação fantástica se formou na minha cabeça, era possível sim, eu toquei uma estrela. Os olhos se arregalaram e eu senti um soluço apertar o peito. Uma ¨gota fria desceu a coluna, era um milagre, eu toquei uma estrela. Não existia palavra, não existia tempo, não existia brisa, não existia passado, não existia mais nada, apenas a minha mão estendida àquele momento. A estrela em toda sua luminescência escapando por entre os meus dedos. Sorri, ninguém nunca vai me roubar esse momento.

A estrela piscou.
E piscou de novo.
E voou.

Era um vagalume.

Gargalhei, coloquei meu troféu na parede e me deitei novamente. Aquele foi o meu milagre, foi onde finalmente olhei a face sincera de Deus, onde posso voltar e ser feliz. Quantas vezes não me peguei admirando vagalumes sem perceber que podia tocá-los? Quantas vezes deixei de tentar por achar que estrelas eram muito distantes? Quer saber amigo, eu vou pra lua. Não deve ser tão longe assim.

Quando eu chegar lá  mando um vagalume te avisar.

terça-feira, 1 de maio de 2012

234

Lembrança é aquele armário em baixo da escada que não deveríamos abrir.

233

A quinta taça de vinho me fez lembrar dos dias que estive por mim mesmo
E tenho estado por mim.
É sim um problema, talvez seja mais do que minha história até
Talvez seja uma prerrogativa de ser eu mesmo.
Complexo, mas minha cabeça gira um tanto e não consigo ter a compreensão simples que a
Sobriedade
Me confere ou conferiria em bons tempos.
Já não sou sóbrio faz uns tempos.