sexta-feira, 30 de outubro de 2009

113




O mundo de cabeça pra baixo
É igual ao de cabeça pra cima
Só que ao contrário.

112

Uma reflexão um pouco mais existencial...

Quem dirá que não existe Deus?
Porque se você diz que Ele não existe,
Me explica o ar.
Me explica como uma meia dúzia de carbonos me deu a vida.
Me explica como uns macacos evoluíram do nada
Pegaram suas pastas
E foram trabalhar.
Me explica os peixes do mar.
Me explica como que lagosta é comestível,
Mesmo sendo um bicho tão feio.
Me explica até aonde vai o infinito.
Me explica quem inventou a interrogação
E quem fez o primeiro ponto final.
Quem me fez tão passional?
E qual é a outra explicação pra minha passionalidade
Se não obra Divina?
O que se passa no pensamento daquela menina
Ali enconstada na janela?
Me explica as cores do universo.
Me diz quem cantou o primeiro verso
Na primeira lira
Do primeiro dia
Se não Deus?
Quem soprou a primeira vida
E permitiu a primeira meiose do mundo?
E as partículas subatômicas se chocando
Não seriam Deus brincando?
Me explica como a abelha voa
Sem ser feita pra voar.
Me explica como o crocodilo chora
Sem ser feito pra chorar.
Me explica o que são os números
E o alfabeto,
Se não Deus
E o seu dialeto.
Até a gravidade, o que seria
Se não Deus compondo a harmonia
Do mundo inteiro permanecendo de pé?
Me explica o movimento
Das pessoas, dos carros, das plantas
Dos pássaros, dos elétrons, dos planetas...
Me explica da onde vieram essas letras
Que eu escrevo agora.
Me explica como eu sou mais sábio
Que outrora.
Me explica como minha mente cresce
À medida que meu corpo envelhece
E meu espírito se fortalece.
Me explica como Daví jogou Golias ao chão.

Se você me diz que não tem explicação
É porque não conhece a verdade.
Mas Deus explica com simplicidade
É só ouvir Ele falar.

Então Deus,
Trabalha no silêncio
Por todos aqueles que duvidam de Ti
Porque no dia em que precisarem
É o Teu socorro que eles irão pedir.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

111

Aceite esses meus versos tão singelos,
Beleza simples, bem inferior às tuas.
Que teus olhos de cansada, não por menos belos,
Guardem pra sempre as quintas feiras, puras.

Como eu guardo comigo esse teu sorriso de meia boca.
Faz-se rir só para agradar a quem fala
E a ironia morre calada, não há ouvinte que ousa
Tentar contestá-la, enfrentá-la, eu porém, amá-la.

Se ainda zombas do que eu falo, "amorzinho" meu
Saiba que ainda não te amo somente por medo
Mas cá entre nós, te conto um segredo
Esse amor que trago comigo espero fazer teu.

Que o amor desse mundo está errado
Todos amam a qualquer um que divide quinze minutos
E sem esforço perdem aos mundos
A sorte que eu tenho, de te ter ao lado.

Mais ainda digo: o amor virá no tempo dele.
Não adianta forçar que venha sem vontade
Porque mais forte do que o comodismo de gostar
É o amar que não pergunta e invade.































Só deixe a porta aberta
Que fica mais fácil de entrar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

110

Hipocondria: mania de doença.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

109

Sua banguela lhe apertava, era colo da sua mãe
E reclamava o seu pai: "você vai ter que se virar"
Era o último em tudo: "um dia isso vai mudar"
Ele apontava para o alto e caminhava para o mar

Faltavam-lhe alguns dentes, "beleza é o que não há"
"Minha beleza é coisa rara, mulher num vai faltar"
João Sortudo tinha pouco, melhor, quase nada
Só sua cara feia, a coragem e a canoa furada.

Canoa essa que seu pai lhe deu
"João meu filho, meu menino, você cresceu!"
Num último suspiro, ele desejou:
"Por favor, siga a família e seja pescador."

E o João Sortudo nem titubiou
Não tinha diploma, ele nunca estudou.
Era seu destino seguir aquela trilha
Só mais tarde ele descobriria...

Foi numa dessas que ele se deu bem
Saiu um dia sozinho, sem ninguém
E em alto-mar ele se aventurou
Jogado à própria sorte, aos berros exclamou:

"Finalmente encontrei o que meu pai não conseguiu!"
Quanto orgulho pra um só, um tesouro ele viu.
Desesperado e sem jeito, esse João tinha realmente sorte,
Jogou na sua canoa todo o dinheiro: "Ahá, eu vou encher o pote..."

Bebeu, dançou, pulou e foi além
Esbanjava toda sorte: "eu quero é mais, meu bem!"
Sacudia a cabeça e se recusava a parar
João Sortudo era o último a sair do bar.

Meteu a mão no bolso: "e agora? Vou pescar?"
Era o tesouro: "tesouro é o que não há!"
Jogado na sarjeta, mendigo se tornou:
"Era muito mais melhor quando eu era pescadô..."

"Quem mandou farrear meu joãozinho?", sua mãe lhe perguntou.
Já não tinha nada, seu dinheiro acabou
"Eu farreei foi sem querer,
Agora sou pobre, pobre de doer..."

João Sortudo tinha sorte mas acabou que se perdeu
E a principal coisa que ele se esqueceu
Foi que no dia em que tudo mudou
A sua sorte ainda era a de um pescador...

108

Eu queria ser diferente
Humano nunca mais
Se pra errar basta ser humano
Eu fico com os animais.

107

Eu queria ser de ferro
Mas eu não sou de ferro não
O pior é que eu sou de carne
E a carne é fraca.
A gente finge que é forte, pra parecer melhor.
Mentira.
É tudo mentira.
Mentimos o tempo todo.
A verdade tarda, mas aparece.
E a verdade nos envergonha, nos joga pra baixo
Nos tira as forças
Nos mata.
E aí continuamos mentindo.
A mentira é o ouro que folheia a bijoteria.
A mentira é o nosso ar de superior.
O orgulho só faz mal.
Bom é se aceitar, tentar melhorar
Não disfarçar
Não mentir tentar
Não arrumar desculpas.
Bom é seguir em frente
Sem mentir pra mais ninguém.
Nem para nós mesmos.

106




Mais classe?
Impossível.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

105

Helena de Tróia não acreditaria
Se soubesse o que você significa pra mim.
Dante diria que sou louco
Odisseu, que fez pouco
E nem Machado zombaria assim.

Platão não entenderia
Drummond perderia
E Vinicius, veja
Até Vinicius, cantaria
Ao seu beijo, perfeito enfim.

Não fique abobada,
Porém, só quero que saiba
Que para terminar com rima rara
Irei amá-la
E amá-la
E Amá-la
E Amá-la...
...
...
...
..
..
.
.
.
.

104

Adendo quinto:

"If they don't believe us now, will they ever believe us?"

- A boy with a torn in his side, The Smiths.

Morrisey sabia o que dizia
Mas sabia muito melhor o que não dizia.

103

Nessa vida nada se copia
Tudo se perde
Tudo se cria.

102

Parem as máquinas
O mundo em pânico
Extra, extra em todos os jornais.

Fechem as escolas
Chamem um mecânico
Tresloucaram todos os sinais

Que eu pensava receber.

Chamem a NASA,
Mexam nas antenas de tevê.

Desliguem as câmeras
Tirem os sapatos
Paletós, pra quê?

Caiu um cometa na Terra
E mais nada importa.

Agora vamos aos comerciais.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

101

Vamos ser felizes
Estamos todos merecendo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

100

É bem idiota publicar tudo aquilo que vem à cabeça.
Vai que tem alguém lendo?

99

Não seria bem melhor
Se agora eu cantasse
Aquela cançãozinha de ninar
Que eu sei de cor
E a gente dançasse
No meio do mar?

E no mar não há mais ninguém
No céu as estrelas nos vêem
A lua confidencia às núvens
Eu queria ser assim também.

Ela não pode.
Eles não podem.

Eu te escutei soluçando?
Talvez eu esteja cantando muito alto
É que eu canto conforme sonho
E esse sonho é uma canção
Valsa das marés.

Dorme menina
Porque doce é seu suspiro.
E mais doce é te ver
Dormir.

Não acorda agora não
Deixa eu sonhar mais um pouco
Por nós dois
Esse embalo rente ao chão
É o mais belo, mais bobo
Acorda só depois
Que eu sair.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

98


Eu não consigo entender essas pessoas que se odeiam na vida e na foto se amam.
Sinceramente...

97

O passarinho no fio do poste
Escorregou no molhado
E tomou um choque.
Eu também tomei.

96

A solidão não mais é o verbete favorito do meu dicionário
Mas aquele que tem o coração um pouco mais temerário
Há de desconfiar.

Eu sei que é ruim ficar trocando de comportamento assim todo dia
Apesar do que o novo significado concede mais alegria
Você há de concordar.

Porque foi você que escreveu esse novo verbete
Suponho até que o inventou
Se não foi não tem problema pro estilhete
Que grava nessa árvore o momento: desabrocha em flor.

Deixa a chuva que cai agora resumir com perfeição essa história
Aquela que eu guardo aqui dentro, ainda na memória
Tão linda.

E você sorria molhada,
De braços abertos rodando na calçada
Somos felizes ainda.

Já não é mais o início nem tão pouco o fim
Aquilo que existia, meio tímido, só cresceu
E você ainda pergunta o que é isso pra mim?
Nessa hora o sol amanheceu:
É aquilo que só existe entre você e eu.

sábado, 19 de setembro de 2009

95

Adendo quarto:

"La única diferencia entre un loco y yo es que yo no estoy loco."

- Salvador Dali.

Provavelmente bêbado.

94



O cérebro tinha que ir pro homem de lata.
Nunca vi pedido mais burro
Do que ter um coração.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

93

Senhoras e senhores, me desculpem interromper a sua viagem
Mas estou aqui humildemente pedindo um minutinho da sua
Atenção.
Eu tenho aqui nas minhas mãos um cadinho de sonhos
Que eu gostaria de dividir com os senhores.
Por uma simples bagatela de um olhar no profundo dos olhos
E um abraço
Os senhores podem levar pra casa a satisfação de terem ajudado alguém.
Veja só que beleza
Não precisa ser amigo nem ficar colega.
E se tiver qualquer problema de higiene
Saiba que eu tomo banho todos os dias
Eu também sou gente
Eu também sou limpinho.
Só num tive o prazer de estar sentado aí com vocês que pagaram a passagem.
Na verdade, eu só entrei porque o motorista é meu vizinho
Vizinho de porta, até de história.
Se bobiar é meu irmão, quem vai saber?
Só Deus sabe.
Deus, me vê.
Deus olha por mim.
Ajuda esquecer.
É na fé que eu me agarro até o ônibus parar de balançar
Todos os dias de manhã
Antes do galo cantar.
Só agradeço por ainda ter voz pra fazer esse apelo à vocês.
Me desculpem mais uma vez.
Deus abençoe.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

92

A certeza
Deixa tudo mais
Chato.

91

O povo canta na rua o nome dele
As crianças o perseguem eufóricas
Até as velhinhas ficam pasmas
"Como alguém tão jovem!?"

E ele nem se preocupa
Tem o mundo aos seus pés
Vai andando como quem tudo tem,
E nada quer.

Vida fácil desse rapaz.
Galã, astro de tevê...
Ele tem o que você
E eu não temos.

O que é?
Perguntei pra ver.
Sei não.
O que ele fez mesmo?

Mmmmmm...num sei....
Tu sabe, bichinho?
Não, não.
Pergunta pra Ritinha
Ela num perde um programa...

Pois bem...
Ele...ele fez...
Aquela propaganda com aquele moço...
Aquele bonito...
Um moreno?
É, um moreno.

Xiii...
Esqueci.
Eu acho que nunca fez novela das oito não.
É?
É.

Então nem tão famoso assim ele é?
Não, acho que não...
Só sei de nome mesmo.
Um nome bonito né?
É...pois é.

Um nome bonito
Só isso.

90

Noventa vezes me perdi nesse mundo
Tentando ver até onde vai
A minha vida.
Passei as noites em claro
E nos dias mais escuros
Procurei me lembrar do que eu queria.
E o que eu queria?
Não sabia.
Só sabia o que não queria.
Vai ver eu precisava ser mais decidido,
Me alegrar mais na vida,
Deixar de lado toda a ironia
E a insensatez de me perder.
Acontece que na nonagésima primeira vez que eu me perdi
Eu te encontrei.
E agora?
Agora eu fico no mesmo lugar.
Prefiro continuar perdido
Pra nunca mais ninguém nos achar.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

89


O que seria o amor,
Se não a cobertura do bolo?

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

88

Eu me escondi atrás dos meus óculos.
Também...
Pudera.
Morri de vergonha.
Num é todo dia que a gente percebe a vida como ela é.
E num vou mentir não
Ela é bastante feia.
Porém, todavia, entretanto
Ser míope tem lá suas vantagens.
Eu posso me esconder e observar por lentes um tanto sujas
Ou até tirá-las e não observar absolutamente nada
Aliás
Não precisa ser míope pra não observar,
Nem ser velho pra escutar mal,
Nem ser tímido pra falar pouco.
A força de vontade do ser inatingível que nos tornamos com o tempo
Consegue construir verdadeiras fortalezas com pernas
Além de nos conferir a sensibilidade de um cacto.
A minha fortaleza começa nos meus óculos.
E a sua?
Finge que está no celular?
Cantarola pra não ouvir algum pedido que te encomode?
Aumenta o som e passa reto?
Pois é.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

87

Encontrei a ti em primoroso firmamento
Pero no logré me alegrar
Soy tan solo y tan triste
Que por las calles voy a cantar
“Eres una bella luna, mi luna querida
Solamente vierto mis lágrimas
Por no poder te enamorar.”




Eu amo o portunhol.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

86

Eu juntei meu punhado de vírgulas
Que estavam guardadas no fundo do armário
Só pra dar uma limpada
E relembrar os velhos tempos.

Minhas vírgulas...
Minhas vírgulas!
Era uma época tão boa...
Eu ainda parava pra respirar
Ainda descansava
Ainda tinha um restinho de tempo pra imaginar o que viria.
Que tempos...
Velhos tempos...
Faz tempo.

Uma vírgula valia mais que o ponto.
O ponto era muito determinante
E a vírgula...bem, a vírgula era liberal
Se contentava em apenas pausar a frase
Ou o que quer que fosse.
Sua reflexão de segundos
Não dizia fim.
Perdeu a vírgula.
Ganhou o ponto.
Que beleza há em algo tão estático?

Vai-se a magia
Ganha-se eficiência
Paciência.

Vou pôr-las no lugar.

85

O mundo é redondo pra rodar.
Se fosse pra ficar parado,
Seria um quadrado.

84

Eu ainda vou entender o porque das coisas
Mas é duro depender das coisas pra entender.

domingo, 30 de agosto de 2009

83

Adendo terceiro:

"Sei que às vezes uso palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?"

-Russo, Renato.

82

Não existe nada melhor que um samba bem tocado,
num violão afinado
Mesmo que seja mal-amado
E por todos ignorado
No fundo de uma bar mal-cuidado
Ou até num sobrado
Pelos cantos do Rio.

81

O que é, o que é?

O mundo que se dedilha em meia dúzia de cordas
E se compara aos corpos das mais lindas mulheres
Sismando em até
Por mão habilidosas
Roubar seus corações.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

80

Eu
Brasileiro médio
Das camadas urbanas
Alfabetizado
E versado nas artes
Do não-saber
Constato agora:

O soluço
Funciona pro coração
Como uma simples
Solução

Provavelmente
Fruto do seu choro
Que não soluciona nada
Se o pano que seca suas lágrimas
É somente o do seu travesseiro.

Repito,
Sou versado em não-saber
Porém
Até eu que nada sei
Consigo provar
Sem A+B
Ou C+D
Que a felicidade
Se dá no fato
De escolher
Viver.

Eu vivo
Porque escolhi
E o meu soluço
É de cheio mesmo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

79

Não leia.

78

Até onde se basta aquilo que é chama
Pra aquecer alguém que subtamente morre de frio
Numa dessas vielas perdidas pela cidade
Pela vida
Ou seja lá qual for a metáfora.

E quando será que vai chegar a vez
Daquele que se ajunta ao braseiro pra aquecer as mãos?
Talvez seja esse eu.
Talvez o braseiro ainda me mantenha vivo
Esperando você olhar pra cá.

Sim
Porque, pelo que eu vejo, você anda toda às pompas
Pelas calçadas
Enchendo de esperança os olhos daqueles que conseguem receber seus olhares
Ah...e esse também sou eu.
Era eu que estava alí naquela hora
Pra receber seu olhar.

Que candura!
Se não virasse o nariz de volta não seria a mesma.

Esnoba...
Vai, esnoba...
Que eu me aqueço aqui na ferida do peito
Alvejado à solidão que o tomou.

Esnoba...
Vai, esnoba...
Que essa viela ainda vai sentir teu calor.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

77

Eu costumava ser uma pessoa bem melhor
Aposto que você também

segunda-feira, 20 de julho de 2009

76

Quando?
Agora.

75

Sonhei que estava na televisão
E em milhares de outdoors
Dizendo besteiras pra todo mundo ouvir
E ninguém dava a menor atenção
Só aplaudiam
Que idiotas.

74

Cuidado comigo
Meu sobrenome é perigo.
Cuidado comigo
A toda hora me arrisco.
Cuidado comigo
Estive pensando em te dizer
Cuidado comigo.
Eu posso não ser seu amigo.
Quem dirá?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

73

Está oficialmente aberta a temporada de caça às ilusões.
Peguem suas espingardas e mirem aos corações
Os palpitares voadores estão em bandos pelo céu
E as promessas vazias se ajuntam como favos de mel.

É a primavera das dores, por hora decretada
Florescem os cravos encrustados pela estrada
Nossos passos se confundem nas ervas daninhas
Que de longe eram as mais lindas gramíneas.

O jardineiro disse pra mim que é assim mesmo
Há flores que só tem botão de janeiro em janeiro
E as flores de ano inteiro, ah...
Dessas ninguém quer cuidar.

Engatilho a minha bala, miro com primazia
Naquela hora eu percebia
Você era a ultima do bando.
É a temporada se acabando...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

72


Einstein tinha muito mais de poeta do que se pode imaginar.
Poeta de números?
Não..não...
Poeta de Humanidade.

"A gravidade não pode ser considerada culpada por a gente se enamorar."

71




As cadeiras vazias sentem-se inúteis ou aliviadas?

[Cristovam Buarque.]

70

O que eu te confesso agora é o meu amor
Porque não há graça que se faça
Quando o circo já fechou
Nem há dança que se dance
Sem batida, sem calor.

Nesse amor de meio dia
Vivo às duas, vivo às três
Pois às quatro talvez não seja
Tão pura a nossa tez.

Um último suspiro que te faço
Tão sóbrio
Perde a sanidade comigo
Todo esse tino
Eu ignoro.

Até
Amanhã
De manhã.

domingo, 12 de julho de 2009

69

Um par de sapatos novos pra melhorar o humor
E os meus cansados, com o maior desapego eu dou.
Tudo bem que já me levaram a todos os lugares
Tudo bem que à eles devo até alguma sorte
Mas devo sorte até às minhas cuecas
E pra levar isso em consideração,
Andaria ainda com as furadas.
Não, não
Eu dou meus sapatos velhos porque estão gastos
Não os quero mais porque já não me dão o prazer
Que tinha quando os comprei.
E é assim, a partir do momento em que se perde o encanto
Em que tocam as doze badaladas da vida
Os sapatinhos de cristal viram abóboras.
(e não é porque desconheço as história que digo isso.)
E me diga,
Você não é do tipo que calça abóboras, é?
Pois é.
Nem eu.
Farewell my shoes
I've got some new blue sewed ones.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

68




E o resto são só casinhas chinesas.

67



Um sorriso muito casual
Desses que só por seu acaso
É percebido apenas
Por aqueles que querem enxergar mais longe.

66

É, eu sei
Não dá pra ir bem o tempo todo
Nem dá pra fingir de malandro
Se não entende de samba.

Porque aqui nessa vida
Só quem sem sabe tudo é Deus
E pra falar a verdade,
Eu nem quero saber de tudo.

Um erro aqui e outro alí
Ajuda a deixar tudo
Muito mais divertido
E pra nossa felicidade erramos.

Viva aos nossos erros
Passados
Presentes
E futuros, por que não?

Viva à vida que ensina
Que não se pode ir bem o tempo todo
E que errar é a maior dádiva
Que alguém atento ao mundo pode receber.

Melhoramos quando erramos, não é verdade?
O erro é o marco zero da sua jornda
Rumo ao acerto.
E no acerto você vai bem...

A final, não se pode ir mal o tempo todo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

65

Eu tenho a dor de gostar de alguém
E é dor sim, pois se não doí não é amor.
Não direi que é fogo que arde sem doer
Nem tão pouco que é ferida
Pois se tanto fosse eu já teria morrido
E isso eu deixo pros românticos.

Talvez estivesse guardado a muito
E só pelo fato de crescer tão rápido
Chega a doer.
É quase que um soluço e me aperta o peito
Mas isso eu deixo pros médicos.

Eu crio as minhas dores
Mas a parte que me cabe de verdade
É só a de gostar de alguém mesmo
E isso fica pra mim.

64

Diga lá
Que é pra não dizer nada.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

63

Comprei uma meia dúzia de luas,
Alí na vendinha da esquina
Talvez eu precise de mais algumas
Pra me lembrar do seu rosto de menina

E essas luas passam rápido
Tão rápido que deixam uns rastros brilhantes
Porém, mais brilhante que isso tudo
Eram seus olhos inocentes e provocantes.

Quem me beija agora é um pouco mais frio do que você foi
O vento aqui no parapeito desse prédio
Não me deixa qualquer dúvida do que vem depois
Vai ser tão rápido que não haverá remédio.

Já me aprontei, arrumei meu apartamento
Me despedi pela quita vez dos meus amigos
Dessa vez não há como relutar, esse é o momento
Para fugir de vez da tristeza e do passado, infinitos.

E não, não me venha você também me impedir
É agora que acontece o fim verdadeiro
Simplesmente estender os braços e deixar cair
Tão sonhada solução, lá embaixo, no chão será o celeiro

Das minhas ilusões.

De repente são elas que caem e não eu
Permaneço estático, imóvel, pálido
Na rua eu vejo quem me socorreu
Aquele barulho foi tão assustador que me fez descer ávido.

Eu sabia quem era
Não queria reconhecer
Talvez não seja o fim que se espera
Mas irei lhe dizer

Estendida, com lágrimas no olhar vazio
Estava ela
Que talvez tenha percebido o mesmo que tinha me ocorrido
O fim seria outro se não tivesse fugido...
Quem dera...

Preferiu ir com outro e não aguentou.
Achei que era o mais derrotado
Não fui eu quem mais amou.
Mesmo com outro, percebeu o feito errado
E para se punir, pulou.

Que covarde que sou.
Belo salvador que não consegue pular atrás.
Minha punição é viver pra sempre com essa dor.
Pra me punir, não pulo mais.

terça-feira, 23 de junho de 2009

62

Começa a frase pelo final
Estufa o peito e se proclama perdedor
Sabe-se lá como veste as calças
Anda de costas o pobre rapaz.

Sobe a rua olhando quem foi
E perde no assalto pra tudo que vem
Essa vida, a mãe falou, foi ele que quis
Nunca aprendeu, coitado, nunca foi capaz.

Não falta vivacidade pois.
Consegue à seu modo tudo que quer
Mesmo que seja cama de faquir
Ou até mesmo guerrear por paz.

E todo mundo na rua canta:

Vai...vai todo torto
Que o dia ainda é cedo
E o que sabe da vida é tão pouco...

Todo mundo na rua errado.
Não tem no bairro ninguém mais sábio
Nem tão sagaz.

terça-feira, 16 de junho de 2009

61

E o mais legal
É que rimando tudo igual
Eu rimo do jeito que eu quiser.

60

O descompasso faz a dança mais estranha que já se viu
O batimento, confuso, não sabe se contrai ou relaxa
Se ri ou se chora, nada tem tanto primor nem faz tanta graça
Na verdade, nem faz tanta falta
Tanto faz céu escuro ou anil.

As pessoas se entreolham desoladas
E os curiosos se amontoam uns pelas costas dos outros
Fazem fila, mas os tristes são poucos
Um murmurar de qualquer coisa, tão agridoce, tão solto
Que parece ir sozinho pelas estradas.

O silêncio, aquele que fez o discurso mais demorado e cravado em desalento,
Faz ecoar a palavra mais solene
E a oração de todos se fez perene
Aquele que alí está, cá já esteve
Agora nos resta o sofrimento.

E o que menos sofre é o carregado
Tem até um sorriso meio que em paz
Vejo só, o que esse momento a ele faz
De todos que estão alí atrás
Ele é o mais sóbrio, o mais lúcido, o mais humanizado

Eu parei o carro só pra ver o velório se desenrolar
Mas eu acho que nunca aprendi tanto
Mesmo estando morto
Me passou um casto ensinamento
Sorria, até no dia em que a vida acabar
Sorria, até o último momento.

59

Eu nem tinha dentes ainda
E já tinha que pegar um avião
Minha mãe, toda sabida
Falou que talvez meu pai esquecia
Da mala de mão.

Papai voltou correndo
E percebeu que na mala só tinha papel
Suspirou aliviado,
E já recuperado
Indagou ao céu:

-Que será isso mulher?

-É o alimento do nosso filho
Agora volte, esqueceu a colher.

Meu pai me olhou,
Respirou fundo
E tirou a caneta do bolso.

"Toma filho, é só usar à seu gosto."

Desde aquele dia
Não só de pão vive o homem em mim
Mas é na escrita que encontro a alegria
E o prazer de ser assim

Um tanto de faminto,
Um tanto de criança,
Um tanto de infinito
Perdido num mundo dos poetas.

58

Esse é o poema de duas estrofes
E talvez sua metalinguística seja tudo
Que de mais rebuscado
Possa oferecer

Sabe como é ser poema
Tem dias em que se está barroco
E tem dias
De ignorância mesmo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

57

O nosso mundo é muito mais divertido do que o dos outros
Porque ele acaba de três em três semanas
E é muito mais fácil reconstruir o nosso prédio em chamas
Do que ajuntar as pedras daqueles loucos.

Sim, pois os locos são eles
Nós que estamos certos de sermos do jeito que somos.
Vai dizer que não é bom nos perder pelos cantos?
Qual fugitivos, pra nós, não existem paredes

É meu bem...já faz um tempo que as cartas já não dizem mais nada
Chega uma hora em que não é hora para palavras
E talvez o que eu mais precise agora é da sua risada
Enquanto o tempo deixa as janelas escancaradas.

Quanto mais esse tempo passa
Menos parece que passou.
Porque esse não é o mundo dos outros
É o nosso mundo
Que é muito mais divertido do que o daqueles poucos.

56

É muito engraçado, porque quanto mais inteligente eu tento parecer, mais idiota eu me revelo.

Parabéns pra mim.
E pro cara que inventou essa frase que eu colei.

55

Nós que somos os mais pobres de alma
Temos em nós mesmos um quê de pena
Nossos pés, agora pintados de cores dos outros
Tendem, aos poucos, a descolorir.

A nossa mente já não tem pressa
Arrasta o tempo que nos resta
Empurrando com a barriga aqueles
Que nem de longe podemos ver.

Quiçá podemos caminhar até eles
E nos faltam orelhas
Pra escutar do que falam
Ou sobre o que perjuram.

Nós juramos,
Juramos ao sol que nos queima o topo da beça
"Se eu pudesse tocar alí..."
Pena que alí é tão longe quanto perto.

A ponta do dedo já faísca
Os olhos faíscam
Os dentes faíscam
Os bolsos faíscam.

Não importa
Ainda somos os famosos pobres de alma
E a nossa melodia murmurosa
Ainda vai perdurar muito por aí.

Por mais que vejamos nossas raízes queimarem
Soltas no solo seco de nossa criação
Ainda não moveríamos uma palha
Somos ninguém numa multidão.

Somos os pobres de alma
E temos em nós mesmos
Um alfabeto da mais valorosa
Pena

Pena de ninguém.

domingo, 7 de junho de 2009

54

Quando eu era assim bem novo,
Coisa de dez anos de idade
Perguntaram pra mim, quando fosse moço
O que seria.
Sem a menor maldade
Eu falei:

Vou ser doutor.

Graças à Deus eu errei.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

53

Espero que consiga, em qualquer por acaso estar ao lado de quem me quer bem.
A verdade é que quando estou sozinho, minha felicidade me esquece também.
O socorro vem de longe, mas é tão perto que já posso olhar
Um pouco da sombra, da silueta, daquela que vem fazendo o luar.

E é de noite que a vejo, sempre branca, alva e tão cheia de si
Vem com carinho, pra devagarzinho, te acolher junto a mim.
Não quer morar aqui pra sempre aqui no meu travesseiro?
Não -ela responde- sou do mundo inteiro.

Então vai, minguante desgraça.
Deixa voltar aquele que te arrasta.
É de sol que eu decido agora viver.
Aos meus dias, nunca mais, eu disse nunca mais, anoitecer.

52

flutuar e ter onde pousar
Saber que tudo pode um dia ser
Um pouco
Um pouquinho só
Melhor.

51

Somos palavras ou ainda um conjunto de letras avulsas?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

50

O que se paga nessa vida
É o preço de sozinho ser
Em cada sinuosa esquina
Mais um pra (diz que não...) sofrer.

É verdade que se paga
Mas não é só por pagar.
É o pedágio, meu filho...
Essa parte há de passar
E passa, ah...essa parte.
É só a certa sorrir
E quando ela te olhar
Tudo passa.

O que se tem nessa vida é de morrer.
Se sentir mal amado, e (diz que não...)
Sofrer.

É verdade que um dia iremos, meu filho
É o imposto, o fisco, de viver.
Não há, pois, de se sentir mal amado.
São as nuances da vida.
E por ela (eu sei...) estás apaixonado.

O que acontece nessa vida é o querer e não ter.
Quase conseguir, e (diz que não...)
Sofrer.

Não temos tudo o que queremos, meu filho
Está certo.
Mas não teria graça a vida sem a luta
E você devia mudar sua conduta
O bedel da sua escola
Já me disse que você se demora...
Demora...demora...
E na hora de responder à professora, só olha.
Onde está você, me diga.

O que acontece nessa vida, meu pai
É que eu sofro
Eu morro
Eu quero e não tenho.
Diz pra ela pai,
Diz pra ela que ela é, de toda noite, meu sonho.

Pra quem, meu filho?

Para a razão do que me padece
É por ela pai, que o mundo acontece.

Quem, filho?

A professora, papai.
Pena que é casada.

49

Não,
Essa não é a verdade.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

48

De quantos "pra sempre" vive um homem
Até que ele perceba que o fim é inevitável?
De todos.


Em juras eternas se perderá, pra sempre.
Em amores impossíveis, intangíveis, intocáveis, pra sempre.

Em cada espaço de momento, ainda que sem qualquer alegria
Ele diz: "pra sempre".
A cada ato falho, erro, engano ou exagero
No innício de tudo ou no mais infinito
É do "pra sempre" que ele se alimenta.

Quando o término se faz presente,
Quando o derradeiro é logo alí,
Procura uma maneira de esquecer o que é real e só dizer:
"Pra sempre".

Porque é só de "pra sempre" que vive um homem
E quantos mais prometer
Mais será,
Até viver pra sempre
O mais profundo eternamente.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

47

Não seja repetitiva vida...
Eu já te conheço de outros carnavais.
Essa sua história é tão repetida
Que nem meu choro chora mais.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

46

Adendo Segundo:

E canta comigo meu povo:
"O amor é assim
Faz tudo mudar
É só alegria
Tristeza não tem lugar.
O amor é assim..."

Valeu de novo Paulinho da Viola...

45

Diz...que a paz agora é tão maior
E nos perdemos só na vontade de ser
Aquilo que achamos valer
O nosso choro, que dó.

Que dó...dá em me lembrar de mim
Antes de ser assim
Tão melhor que em outros tempos
Vai minha história, ex-desalento.

Ilusão...vai embora agora
Acabou a sua vez
Aquela que bate à porta não demora
Em iluminar sua palidez.

Verdade...se tudo tivesse essa verdade...
Pra que a vaidade de mentir o que não é?
Se é deixa ser, que a maior emoção é a que invade
Não é a que se mete a entrar sem coragem
Meio que sem vontade
Meio que mal me quer.


E eu bem te quero.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

44

Até aqui, o Eu desmembrado em poucas letras.

Ou pelo menos uma tentativa de.

Tanto fez até agora, tanto faz e tanto fará.

43

Eu, que agora me fito de olhos fechados
Me encontro deitado, aos pés de uma multidão.
Já pensei, aos choros calados, envergonhados
No medo de ser encontrado aqui deitado
No chão.

Pelo chão que eu catei minha existência
Se do pó vim, ao pó retornarei.
Minha maior penitência
Nesse ladrilho de rua
É saber que te esperei
Essa noite não era só tua
Era nossa, de mais ninguém.

Se queres me atirar às sarjetas
Pra viver de esmolas suas
Ou de qualquer uma das gorjetas
Por prestar serviços à tua alma crua
Eu digo que não.

Não quero mais
Desisto

O fim é o novo começo
Do pó eu vim, não vou retornar tão cedo
As promessas são transferíveis
Se as atitudes são incompatíveis.

Só diga pro próximo da fila
Comprar somente a entrada dele.

Sabe como é, às vezes a gente joga dinheiro fora
E às vezes, toda uma história.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

42

O meu escuro vale o teu pender de cabeça
Aquele quase sonâmbulo
Aquele que você não percebe
Só quer de mais intenso dormir.

Já não me encontro no prumo das ideias,
Acho que passei por lá hoje de manhã
Mas não tenho certeza
Meus olhos falham muito
Pesam até.

Nessa hora me aparecem as ilusões
Nessa hora que me atacam os sentimentos reprimidos
E tentam ficar.

Eu não deixo
Eu não deixaria, se estivesse em total sanidade.

Como já é tarde eu os deixo vir só um pouquinho
Só pra dar aquela pontada de dor
De memória, de passado
Depois ele vai embora
Deixa...

Você nunca teve isso,
Aquela pontadinha de dor que era só pra espetar e sair?
E quando ela abre a casquinha do machucado?
Isso eu aposto que você já teve.

Aí o maior consolo é o ventilador de teto e o travesseiro atrás da cabeça.
Cansei de pensar assim.
Agora me escondo atrás das palavras mesmo.

Você deixa a cabeça, apoiada na mão, balançar um pouco mais forte pra frente
E acorda.
Tem mais o que fazer.
A vida segue
Não vale a pena ficar resmungando com a boca dos outros.

41

Salpicou de rubro-negro
Mais que um mundo inteiro
Cheio de orgulho gritou gol.

Olhou pros lados e viu iguais
Mar de gente até as finais
Finalmente a hora chegou.

Já não tinha mais bola,
Campo, estádio, coração que segurasse
A emoção de ter os artistas
Mais malabaristas
Mais mágicos
E até folclóricos palhaços
Que por amor de uma multidão estavam alí.

O circo estava armado
Bicolor, negro-avermelhado
Como as almas de todos naquele domingo, sagrado.

A bola era nossa,
Fomos ao ataque,
E todos já sabiam o que cantar.

O êxtase os fez estender os braços,
Formando soltos no ar,
A onda magnífica da magnética.

TREMEI!!!
Exclamaram as arquibancadas mais lindas de todos os tempos.

E eles, os outros
Os imperfeitos,
Aqueles que não honram o manto
E tudo que ele representa
Tremeram.

E continuarão tremendo.
Porque não somos torcida
Somos seguidores fiéis
Somos nação

Somos FLAMENGO.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

40

Ou duas de vinte?


Divide em notas de 5 mesmo,
Tô precisando de uns trocados pra passagem.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

39

Eu já falei das flores,
Das festas,
Do amor,
Da vida,
Dos caminhos que talvez me trouxeram até aqui.

Já falei de mim,
Já disse muito do que sentia
E provavelmente ainda direi mais,
Já fiz alguns paralelismos(se bons ou ruins, cabe à você.)
Mais ainda, falei de coisas que desconheço completamente.

Já falei de alguns dos meus fantasmas,
E exorcisei boa parte deles por isso.
Fiz questão de mostrar até aqui o quão paradoxal eu sou
Não me leve à mal, mas o raciocínio lógico passou longe daqui.

Nesse pouco tempo de aventura literária desinspirada e vacilante
Pouca coisa eu alcancei.

E você me pergunta se eu vou finalmente parar,
Se eu percebi que sou repetitivo e que sempre termino tudo da mesma maneira.
Eu te respondo que não sei.

Talvez amanhã eu acorde disposto à fazer um livro
Ou queime tudo,
Posso até largar de mão.

Tanto faz,
Até disso eu já falei.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

38

As ruas são lugares pavimentados de histórias.
E os cinemas, de primeiros beijos.

Eu só quero uma história pra contar
E um cinema...

Que filme que passa hoje?
Eu queria muito ver esse...

As ruas são lugares pavimentados de beijos
E os cinemas, de primeiras histórias.

terça-feira, 21 de abril de 2009

37

- Haz algo por alguien, mi hijo.

- ...

- Sí, por ella.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

36

O hífen é uma belezura
Dá polidez
Transforma rimas ricas em raras.
Dá até um certo charme de estilo

Só não vamos exagerar na riqueza
Porque nesse país
Até os hífens nos são roubados.

35

Eu percebi que eu não sei contar,
Um mais um pode dar um sozinho
Que não lembra como era ser dois
Muito menos menos sabe ser um.

Dois pode não ser par,
Porque tem muitas vezes em que o par é de três,
E quatro, meu amigo, pode ser vários pares.

No cinco ninguém dança sozinho.
O Joãozinho larga da Lucinha
Pra dançar com a Bia.
E você acha que a Lucinha vai ficar sentada?
Ela vai dividir o Pedro com a Joana...

Esses são outros tempos, meu caro Drummond...
As quadrilhas estão muito mais modernas
O Raimundo pode amar Maria
Mas nada o impede de querer a Teresa também.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

34

Eu cantei a noite inteira
Que foi só sua bobeira
Vigília à varandeira
Na minha porta seu olhar.

Deixa eu dormir
A madrugada é logo ali
Céus, quase explodi
Para de falar.

Vamos, só mais um pouco
Quem não vai que é louco
Varandeira rangia toco
E e agora nem ao luar.

Não, esses eram outros tempos
Por hora, faltam lenços
Pra enxugar o desalento
Não me obrigue a lembrar.

Passado é cordão de quem já morreu
Mas você passou e passei eu
Só não passou o que a vida te deu
E isso só quero comemorar.

Verdade, os foliões nunca choram
Vivem pra sempre nas marchas dos carnavais que ainda comemoram
Desfilam, passeiam, cantam e rodam
Eu aceito meu amor, aos 70 nos casar.




( e após 57 anos de talvez, ela disse sim.)
( infelizmente, ele teve um ataque cardíaco 2 meses depois)
( o casamento, que já tinha data marcada - pro segundo dia de carnaval - terminou em velório.)
( ela morreu no dia seginte )
( eles ainda vivem nas marchas daquele segundo dia de carnaval do ano de 1952.)
(talvez tenham decidido se casar por lá mesmo.)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

33

Eu morro de amores por alguém em quem eu nunca encostei,
Não sei onde mora
Não sei se tem amigos
Não sei gosta da Bardot ou do Holanda
Tão pouco sei o sobrenome

Já me apaixonei tantas vezes por ela que até perdi a conta
Passei noites em claro
Não comi
Fiquei doente
E com ela nada falei

Mas meu coração apertado fica
A cada "click" da vida
Tilintar e repentina subida
Daquela janela, querida
É ela em caracteres estranhos

Mas eu ainda a amo
Porque minha internet é banda larga
E eu posso ficar nela o dia todo.

segunda-feira, 2 de março de 2009

32

E chega de choro.

31

-Papa, ¿y tudo lo se acaba?


- Si mi hijo, acaba.

30

o 30 foi apagado em razão de seu conteúdo absurdamente sentimentalóide e desnecessário.

obrigado.

domingo, 1 de março de 2009

29

Adendo primeiro:

Vai Paulinho da Viola...

"Desilusão,
Desilusão.
Danço eu,
Dança você
Na dança
Da solidão."

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

27

O que eu vou falar é meio gay e tal,
E com certeza tem gente que vai até me achar o cara mais clichê do mundo
Mas o amor existe.
E se você tá aí lendo e ficou rindo disso
É porque nunca amou ninguém de verdade, nunca passou por rejeições,
É porque ainda é incompleto (sem querer dizer que eu que escrevo sou perfeito, longe disso)
Mas se tem algo que nos torna completos, isso é o amor.

Uma vez eu conheci um cara que dizia que o amor era um conjunto de reações químicas...
Por favor, não reduzam o amor a apenas isso, seria a coisa mais triste do mundo dizer Que uma pintura é apenas tinta num quadro, que um poema é só letra em papel.
O amor é maior que isso, e o melhor, é palpável.
Isso mesmo, o amor tanto pode ser sentido quanto tocado
E sobre tudo pode ser vivido. (eu avisei pra você que tudo isso era meio gay.)

O amor só tem uma ressalva,
Não reprima-o.
O amor reprimido machuca e pode levar a morte.
Se você tem amor por alguma coisa, experimente desse amor,
Afinal de contas o ministério da saúde adverte:
"O amor causa efeitos colaterais como os devaneios, músicas melosas e inspirações pra posts no meio da madrugada."

(hora: 4am.)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

26

E mais parece que toda vez que eu acordo
Eu descubro que não sou nem metade do que eu pensava ser.
Como se um muro impedisse a minha corrida
A braços, que antes de se fazer o muro,
Já se distanciavam a cada passo meu.

É engraçada a sensação do desprazer em si
E mais engraçado ainda é se encontrar na condição de falha.

Mas por mais que nos encontremos assim, mais devemos almejar mais.
Seríamos todos mortos-vivos se nossas falhas não nos ensinassem algo
E pior ainda seríamos se nossas falhas apenas nos apequenasse.

Meu amigo, me escuta se lutas.
A gota que acabou de sair da nascente também deve se sentir a pior gota d'água no mundo
Ao se deparar com a pedra pela primeira vez.
Mas a pedra cede, a pedra há de ceder;
E é por isso que eu ainda vou dormir, mesmo sabendo que amanhã vou descobrir que não era a metade do que pensava ser.