domingo, 30 de agosto de 2009

83

Adendo terceiro:

"Sei que às vezes uso palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?"

-Russo, Renato.

82

Não existe nada melhor que um samba bem tocado,
num violão afinado
Mesmo que seja mal-amado
E por todos ignorado
No fundo de uma bar mal-cuidado
Ou até num sobrado
Pelos cantos do Rio.

81

O que é, o que é?

O mundo que se dedilha em meia dúzia de cordas
E se compara aos corpos das mais lindas mulheres
Sismando em até
Por mão habilidosas
Roubar seus corações.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

80

Eu
Brasileiro médio
Das camadas urbanas
Alfabetizado
E versado nas artes
Do não-saber
Constato agora:

O soluço
Funciona pro coração
Como uma simples
Solução

Provavelmente
Fruto do seu choro
Que não soluciona nada
Se o pano que seca suas lágrimas
É somente o do seu travesseiro.

Repito,
Sou versado em não-saber
Porém
Até eu que nada sei
Consigo provar
Sem A+B
Ou C+D
Que a felicidade
Se dá no fato
De escolher
Viver.

Eu vivo
Porque escolhi
E o meu soluço
É de cheio mesmo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

79

Não leia.

78

Até onde se basta aquilo que é chama
Pra aquecer alguém que subtamente morre de frio
Numa dessas vielas perdidas pela cidade
Pela vida
Ou seja lá qual for a metáfora.

E quando será que vai chegar a vez
Daquele que se ajunta ao braseiro pra aquecer as mãos?
Talvez seja esse eu.
Talvez o braseiro ainda me mantenha vivo
Esperando você olhar pra cá.

Sim
Porque, pelo que eu vejo, você anda toda às pompas
Pelas calçadas
Enchendo de esperança os olhos daqueles que conseguem receber seus olhares
Ah...e esse também sou eu.
Era eu que estava alí naquela hora
Pra receber seu olhar.

Que candura!
Se não virasse o nariz de volta não seria a mesma.

Esnoba...
Vai, esnoba...
Que eu me aqueço aqui na ferida do peito
Alvejado à solidão que o tomou.

Esnoba...
Vai, esnoba...
Que essa viela ainda vai sentir teu calor.