quarta-feira, 15 de abril de 2009

34

Eu cantei a noite inteira
Que foi só sua bobeira
Vigília à varandeira
Na minha porta seu olhar.

Deixa eu dormir
A madrugada é logo ali
Céus, quase explodi
Para de falar.

Vamos, só mais um pouco
Quem não vai que é louco
Varandeira rangia toco
E e agora nem ao luar.

Não, esses eram outros tempos
Por hora, faltam lenços
Pra enxugar o desalento
Não me obrigue a lembrar.

Passado é cordão de quem já morreu
Mas você passou e passei eu
Só não passou o que a vida te deu
E isso só quero comemorar.

Verdade, os foliões nunca choram
Vivem pra sempre nas marchas dos carnavais que ainda comemoram
Desfilam, passeiam, cantam e rodam
Eu aceito meu amor, aos 70 nos casar.




( e após 57 anos de talvez, ela disse sim.)
( infelizmente, ele teve um ataque cardíaco 2 meses depois)
( o casamento, que já tinha data marcada - pro segundo dia de carnaval - terminou em velório.)
( ela morreu no dia seginte )
( eles ainda vivem nas marchas daquele segundo dia de carnaval do ano de 1952.)
(talvez tenham decidido se casar por lá mesmo.)

Um comentário:

Veiga disse...

mt bem escrito... parabens