segunda-feira, 8 de junho de 2009

55

Nós que somos os mais pobres de alma
Temos em nós mesmos um quê de pena
Nossos pés, agora pintados de cores dos outros
Tendem, aos poucos, a descolorir.

A nossa mente já não tem pressa
Arrasta o tempo que nos resta
Empurrando com a barriga aqueles
Que nem de longe podemos ver.

Quiçá podemos caminhar até eles
E nos faltam orelhas
Pra escutar do que falam
Ou sobre o que perjuram.

Nós juramos,
Juramos ao sol que nos queima o topo da beça
"Se eu pudesse tocar alí..."
Pena que alí é tão longe quanto perto.

A ponta do dedo já faísca
Os olhos faíscam
Os dentes faíscam
Os bolsos faíscam.

Não importa
Ainda somos os famosos pobres de alma
E a nossa melodia murmurosa
Ainda vai perdurar muito por aí.

Por mais que vejamos nossas raízes queimarem
Soltas no solo seco de nossa criação
Ainda não moveríamos uma palha
Somos ninguém numa multidão.

Somos os pobres de alma
E temos em nós mesmos
Um alfabeto da mais valorosa
Pena

Pena de ninguém.

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