O descompasso faz a dança mais estranha que já se viu
O batimento, confuso, não sabe se contrai ou relaxa
Se ri ou se chora, nada tem tanto primor nem faz tanta graça
Na verdade, nem faz tanta falta
Tanto faz céu escuro ou anil.
As pessoas se entreolham desoladas
E os curiosos se amontoam uns pelas costas dos outros
Fazem fila, mas os tristes são poucos
Um murmurar de qualquer coisa, tão agridoce, tão solto
Que parece ir sozinho pelas estradas.
O silêncio, aquele que fez o discurso mais demorado e cravado em desalento,
Faz ecoar a palavra mais solene
E a oração de todos se fez perene
Aquele que alí está, cá já esteve
Agora nos resta o sofrimento.
E o que menos sofre é o carregado
Tem até um sorriso meio que em paz
Vejo só, o que esse momento a ele faz
De todos que estão alí atrás
Ele é o mais sóbrio, o mais lúcido, o mais humanizado
Eu parei o carro só pra ver o velório se desenrolar
Mas eu acho que nunca aprendi tanto
Mesmo estando morto
Me passou um casto ensinamento
Sorria, até no dia em que a vida acabar
Sorria, até o último momento.
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