quarta-feira, 24 de junho de 2009

63

Comprei uma meia dúzia de luas,
Alí na vendinha da esquina
Talvez eu precise de mais algumas
Pra me lembrar do seu rosto de menina

E essas luas passam rápido
Tão rápido que deixam uns rastros brilhantes
Porém, mais brilhante que isso tudo
Eram seus olhos inocentes e provocantes.

Quem me beija agora é um pouco mais frio do que você foi
O vento aqui no parapeito desse prédio
Não me deixa qualquer dúvida do que vem depois
Vai ser tão rápido que não haverá remédio.

Já me aprontei, arrumei meu apartamento
Me despedi pela quita vez dos meus amigos
Dessa vez não há como relutar, esse é o momento
Para fugir de vez da tristeza e do passado, infinitos.

E não, não me venha você também me impedir
É agora que acontece o fim verdadeiro
Simplesmente estender os braços e deixar cair
Tão sonhada solução, lá embaixo, no chão será o celeiro

Das minhas ilusões.

De repente são elas que caem e não eu
Permaneço estático, imóvel, pálido
Na rua eu vejo quem me socorreu
Aquele barulho foi tão assustador que me fez descer ávido.

Eu sabia quem era
Não queria reconhecer
Talvez não seja o fim que se espera
Mas irei lhe dizer

Estendida, com lágrimas no olhar vazio
Estava ela
Que talvez tenha percebido o mesmo que tinha me ocorrido
O fim seria outro se não tivesse fugido...
Quem dera...

Preferiu ir com outro e não aguentou.
Achei que era o mais derrotado
Não fui eu quem mais amou.
Mesmo com outro, percebeu o feito errado
E para se punir, pulou.

Que covarde que sou.
Belo salvador que não consegue pular atrás.
Minha punição é viver pra sempre com essa dor.
Pra me punir, não pulo mais.

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