Eu nem tinha dentes ainda
E já tinha que pegar um avião
Minha mãe, toda sabida
Falou que talvez meu pai esquecia
Da mala de mão.
Papai voltou correndo
E percebeu que na mala só tinha papel
Suspirou aliviado,
E já recuperado
Indagou ao céu:
-Que será isso mulher?
-É o alimento do nosso filho
Agora volte, esqueceu a colher.
Meu pai me olhou,
Respirou fundo
E tirou a caneta do bolso.
"Toma filho, é só usar à seu gosto."
Desde aquele dia
Não só de pão vive o homem em mim
Mas é na escrita que encontro a alegria
E o prazer de ser assim
Um tanto de faminto,
Um tanto de criança,
Um tanto de infinito
Perdido num mundo dos poetas.
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