O que se paga nessa vida
É o preço de sozinho ser
Em cada sinuosa esquina
Mais um pra (diz que não...) sofrer.
É verdade que se paga
Mas não é só por pagar.
É o pedágio, meu filho...
Essa parte há de passar
E passa, ah...essa parte.
É só a certa sorrir
E quando ela te olhar
Tudo passa.
O que se tem nessa vida é de morrer.
Se sentir mal amado, e (diz que não...)
Sofrer.
É verdade que um dia iremos, meu filho
É o imposto, o fisco, de viver.
Não há, pois, de se sentir mal amado.
São as nuances da vida.
E por ela (eu sei...) estás apaixonado.
O que acontece nessa vida é o querer e não ter.
Quase conseguir, e (diz que não...)
Sofrer.
Não temos tudo o que queremos, meu filho
Está certo.
Mas não teria graça a vida sem a luta
E você devia mudar sua conduta
O bedel da sua escola
Já me disse que você se demora...
Demora...demora...
E na hora de responder à professora, só olha.
Onde está você, me diga.
O que acontece nessa vida, meu pai
É que eu sofro
Eu morro
Eu quero e não tenho.
Diz pra ela pai,
Diz pra ela que ela é, de toda noite, meu sonho.
Pra quem, meu filho?
Para a razão do que me padece
É por ela pai, que o mundo acontece.
Quem, filho?
A professora, papai.
Pena que é casada.
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