O garoto observava os lindos olhos azuis da sua irmã e simplesmente não aceitava a realidade. Eles eram tão felizes a pouco tempo atrás... Sua irmã tinha o sorriso mais belo do mundo. Tudo que ele ouvia agora eram gritos e risadas histéricas. Todos na casa haviam perdido o prumo e ele resolveria isso.
Em uma noite escura, acordou silenciosamente a menina rescém-açoitada. Ela sem muito entender o que acontecia só pode obedecer quando seu irmão mais velho lhe pediu para que arrumasse as coisas dos dois. "Logo faremos uma viagem para nunca mais voltar aqui...". o garoto sabia onde o pai guardava a pistola. O garoto sabia como usar a arma. O garoto colocaria um fim naquilo tudo.
Sua irmã apenas acompanhou com os olhos arregalados o movimento felino do irmão por dentro do quarto do pai. Ela já havia posto os sacos de pano com as roupas e um pouco de comida em lata da cozinha à porta quando avistou a arma reluzindo a luz da lua na mão do irmão. A menina arregalou os olhos e deu um grito que foi abafado pelo disparo certeiro da pistola.
Ela jurou nunca encostar em armas.
Em estado de choque foi carregada casa à fora pelo irmão que a segurava por um braço e no outro levava os mantimentos.
Para se manterem vivos naqueles tempos difíceis, o garoto praticava pequenos delitos nas estradas pouco policiadas da região. O tempo todo observado pela irmã que cada vez se aprofundava mais em sua própria loucura. Até que em um desses delitos, seu destino mudou...
- Parem a carruagem se não atiro! - tentou gritar com a voz mais grossa que seus 18 anos permitiam...
- Em nome de que eu deveria parar? - retrucou o cocheiro.
- Em nome da bala que mora em meu revólver.
Nesse momento uma gargalhada pode ser ouvida de dentro da carruagem. A porta se abriu e de lá saltou um homem gordo, bonachão, cheio de si, com roupas um tanto espalhafatosas e ostentava bastante ouro. O garoto arregalou os olhos. Nunca tinha visto tamanha riquesa.
- Eu acho que gostei de você garoto, você tem fibra, pode me ser bastante útil... Qual é o seu nome?
- Jo..Jo...José, senhor...
- Ahá! Que belo nome para um magricela morto de fome. Eu me chamo Signore Migiorinni. - e abriu um largo sorriso...
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