Segui o rio que dava ladeira à baixo na minha vida.
Segui de olhos abertos pra qualquer coisa que viria.
Tinha juntado numa mochila pesada milhões de coisas inúteis
Dos vários momentos únicos que passei.
Acho que a inutilidade desses objetos era o que os faziam tão belos
A ponto de não me preocupar com o peso que tudo aquilo me custava.
Eventualmente eu parava para beber um pouco daquela água corrente
Que me tangenciava.
Um pouco de refresco para o calor que fazia.
Na verdade, eu me sentia meio perdido só seguindo o curso do rio.
Nem me lembrava mais o porque de estar alí, fazendo aquilo
Mas sentia a necessidade, sabe?
Como se eu acordasse todos os dias
Com a única finalidade de saber onde dava o rio.
De vez em quando eu tenho desses sentimentos
De querer saber de tudo como se fosse criança descobrindo o mundo
Pela primeira vez.
Ultrapassei troncos caídos,
Nadava um pouco
E de noite acendia fogueiras, pra não me sentir só.
Pra te falar a verdade
Ainda não cheguei no fim do rio.
Até hoje sigo por ele
Até hoje vejo o mundo nesse rio.
De vez em quando nado contra a corrente
E de vez em quando deixo me levar.
Vai que esse rio me leva
Pro exato lugar
No exato momento
Que eu deveria estar?
E se não levar?
Só tem um jeito de descobrir.
Continuo a caminhar.
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