domingo, 27 de fevereiro de 2011

203

Chuva sob a qual sorrio,
Daqui sou o maior folião.
E te grito em desafio
Hoje não me trará solidão.

Porque nos blocos de Carnaval do Rio
O povo se abraça e comemora
Apesar de suas mazelas, ninguém chora
Só de lembrar me dá arrepio.

As baterias esquentam os tamborins
Surdos, cavacos e porta-bandeiras
Comissão de frente e abre-alas
Todos posicionados, para seus devidos fins.

E eu to aqui.
Escutando a tudo isso
Coração na garganta, vibrando um soluço
Que só agradece por existir.

Sou Flamengo de berço
Papa-goiaba de nascença
Irremediavelmente amante do samba
E brasileiro por excelência.

Onde mais me encaixaria
Se não fosse
Nessa multidão?

Esse amor que me serpenteia o corpo todo
Vem de fevereiro em fevereiro
E fica às vezes caso de um ano inteiro
Na lembrança do povo.

As mesmas marchinhas, sempre com um ar novo
Que, não posso negar, continuam me arrebatando
E digo mais, me ressuscitando
De problemas profundos, dos quais não mais sofro.

"Canta forte minha gente, deixa a tristeza pra lá"
Vamos dar os nossos braços e pular.
Pelo menos não irei sozinho
Sabe Chuva, hoje eu quero me alegrar.

Nenhum comentário: