quinta-feira, 13 de setembro de 2012

243

De repente descobri que minha alma era de ouro.
O que me causou certo espanto, visto que nunca tive muito
E exatamente por viver de tão pouco
Planejei meu fim completamente outro.
Agora tenho temores que antes julgava completamente fúteis
Roubarão minha alma, e sobrarão apenas restos inúteis
Somente as partes dela que nem eu mesmo quero
As não lustradas, as escondidas, as erradas
Aquilo que me faz feio e aprendi a esconder
Nos anos em que me imaginei outro.
Ouro não tem falhas, tem brilho eterno
Ouro não se deixa envelhecer.
Admiram sua resilência
Como se a minha alma se justificasse apenas por ser
E tudo que não é,
Ela trata algum valor
Para ter.
No fundo, eu preferia o seu jeito antigo
Meio inibido
Da força que ela tinha quando ainda não sabia
O quanto ela deveria valer.

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