domingo, 11 de setembro de 2011

217

Todo mundo quer escrever sua própria história.
Ser o herói que mata o bandido no final
A mocinha no alto da torre esperando pelo príncipe
Viver de finais felizes.

Sabe minha querida, ninguém quer sair perdendo na vida
E a felicidade está cada vez mais escondida
Nos braços cruzados de quem recusa se mover.

Quem sente dor chora e reza baixinho
Torcendo para que o coração em desalinho
Não seja atropelado pelo não ter.

Ainda me assusto com a velocidade das coisas
Que vão acontecendo sem que possamos realmente vê-las
Ou perceber a poesia que carregam.

Queria que vivêssemos em uma época muito melhor que essa
Em que somos dominados pela pressa
E nossos olhos aos fracos e impossibilitados, sujos e surrados, renegam.

Ontem minha nêga, fui deitar impaciente
E me perdoe se te deixei carente
Mas só queria dormir

Acontece que socorri um acidentado
Com o corpo todo quebrado
E o atropelador do atropelado
Conseguiu fugir.

Mais tarde a polícia pegou o camarada
E o encheu de pancada
Tanta violência por nada
Parece que estava drogado, alcoolizado e só queria sair dalí.

Acontece todo dia em todo lugar toda hora
Queremos sair e chegar sem demora
Não temos paciência de viver.

Hoje eu acordei outro homem, neguinha
Vamos parar de historinha
E somente (definitivamente) nunca mais sofrer.


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